quarta-feira, 12 de novembro de 2008

Encerramento dos passeios pedestres 2008

Um êxito retumbante

Para trás ficaram dez passeios que, fizeram as delícias de todos quantos tiveram o privilégio de participar, nesta iniciativa de cariz ambiental, que alberga também aspectos históricos, espírito de aventura, e o salutar convívio de braço dado com a natureza.

Daniel Costa

Chegou ao fim, mais uma temporada dos passeios pedestres, organizados pela Sociedade de Exploração Espeleológica “Os Montanheiros”, em colaboração com a Câmara Municipal de Angra do Heroísmo. No corrente ano, realizaram-se uma dezena de caminhadas, com início no mês da revolução dos cravos e terminando no último fim de semana de Outubro. Para trás, ficaram dez passeios memoráveis, onde foi bem evidente a crescente afluência de pedestrianistas a esta iniciativa, o que diz bem da importância do evento, pelos mais variadas aspectos, desde o espírito de aventura que alguns percursos mais arrojados permitem, passando pela componente histórica de outros, até á magnifica flora, com destaque para a vegetação Laurissilva, não esquecendo o negro da rocha basáltica, do vidro basáltico, conhecido por Obsidiana, da pedra Pomes a única que flutua, do verde das nossas pastagens, com os seus vales e ribeiras, das imponentes rochas escarpadas banhadas pelo azul do oceano Atlântico. Como sempre “Os Montanheiros”, preparam e planificam um programa de caminhadas equilibrado, promovendo diversos relevos e vertentes, tendo o cuidado de diversificar os mesmos, não esquecendo no entanto a inclusão da mítica Caldeira da Serra de Santa Bárbara, e aquele que é considerado por muitos, o ex-libris do pedestrianismo, o único e espectacular Morro Assombrado, dois passeios inevitáveis, que são um marco nestas andanças e os mais procurados, tanto pelos veteranos que, nunca se cansam de os visitar e procuram sempre que possível repeti-los, o maior numero de vezes possível, quer pelos novatos que, com o bico doce dos comentários abonatórios, procuram não faltar à chamada. Abril abriu a temporada, com a ida ao Pico da Lagoinha, situado na freguesia da Serreta, passeio que contou com uma grande aderência, bem como condições climatéricas soberbas, proporcionando grande visibilidade, factor determinante neste passeio, em virtude das boas paisagens que o mesmo proporciona. Posteriormente, veio a Terra Brava, um passeio lindíssimo marcado por algum, espírito de aventura, em virtude do seu traçado irregular e bravio, composto de vegetação endémica virgem. O tempo adverso marcou o 3º passeio, obrigando os organizadores a recorrem à Fajã da Serreta, um local diferente, situado no litoral e marcado pela história da fonte da água azeda. Com o quarto veio a imponência e beleza da Rocha do Chambre. Reservando a exploração numero cinco, a mítica Caldeira da Serra de Santa Bárbara, caminhada que fica sempre na memória, devido aos encantos, mistérios e fascínios da elevação mais alta da Ilha. A meia dúzia, conduziu a coluna até ao Pico Agudo e Pico Alto, um passeio que fica registado pela abrangência excepcional da paisagem que os referidos Picos oferecem. Setembro trouxe-nos a Vereda Velha, um trilho utilizado pelos habitantes do lado norte da ilha, para as suas incursões ao Canadão da Caldeira da Serra de Santa Bárbara. Mistérios Negros, foi o itinerário da antepenúltima caminhada, com passagem pelos Domas de lava negra rugosos, resultantes da erupção histórica de 1761. O penúltimo passeio teve como destino, o ex-libris dos passeio pedestres, o “Morro Assombrado”, marcado por labirintos de grandes fendas que rasgam a terra. Terminando a temporada com a deslocação à “Passagem das Bestas”, localidade utilizada durante mais de trezentos anos, nos transporte de lenha em carros de bois, entre a Caldeira Guilherme Moniz e Angra. O habitual convívio de encerramento, teve lugar no Algar de Carvão, mais propriamente junto da casa de apoio, local onde os grelhadores trabalhavam afincadamente, para estancar o apetite, espalhando lenta mas eficazmente, o cheiro das bifanas, do entrecosto e do frango, aguçando o apetite dos caminhantes que, chegavam a conta gotas. Concluída a confecção do repasto, deu-se início então á parte da degustação, através de um menu rico e diversificado. As excelentes condições climatéricas também ajudaram, permitindo que os participantes se sentassem e aconchegassem, estrategicamente em cima das dispersas rochas basálticas que por ali existem, transmitindo através da diversidade de tons das roupas, um bonito colorido perante o verde dominante do mato, fazendo lembrar um presépio antecipado. Claro está que este momento, serviu para a amena cavaqueira, sobre os mais variados domínios, mas sempre com a beleza no nosso interior na ordem do dia. Foi um dia diferente, bem passado encerrando da melhor forma o plano de caminhadas de 2008. Agora que venha rapidamente 2009, um ano que em principio colocará algumas reservas no que ao pedestrianismo diz respeito, em função do novo diploma Regional que cria o Parque Natural da Ilha Terceira. Com efeito, a quando a caminhada ao Pico Agudo e Pico Alto, o presidente da Associação “Os Montanheiros”, surpreendeu os presentes, informando que em 2009 os passeios iriam ser suspensos, porque segundo esclareceu na altura “em consequência do novo diploma Regional que cria o Parque Natural da Ilha Terceira, deverão ser levantadas restrições ao acesso a determinadas áreas reclassificadas ao abrigo da nova legislação. Em face disso, a fim de evitar qualquer tipo de atrito ou atropelos às competências da Comissão de Gestão do futuro Parque, decidiu a associação desde já tornar público que irá suspender a organização dos tradicionais passeios, até que possa ser acordado forma de os retomar, num formato aceite por todos”. Todavia, a situação evolui favoravelmente, o que levou o líder dos “Montanheiros” a informar recentemente, que os passeio serão uma realidade em 2009, embora possivelmente com algumas alterações, entre as quais a redução do numero da caminhadas, passando das actuais duas por mês, para apenas uma. Seja qual for o critério e modelo adoptado, o importante é dar continuidade aos passeios como tudo indica que sim, uma vez que o nosso rico e belo meio ambiente, é cada vez mais respeitado e procurado pelos locais e não só, e se existe forma de os visitar é certamente através do formato adoptado pelos “Montanheiros” entidade que ao longo dos anos tem organizado e realizados estas caminhadas, preparando-as ao mais pequeno pormenor, desde os cuidados a ter com o impacto ambiental até à segurança, porque não faz sentido possuir tamanha riqueza se não se pode desfrutar dela.

quarta-feira, 29 de outubro de 2008

10º PASSEIO PEDESTRE DOS MONTANHEIROS - "PASSAGEM DAS BESTAS - 2008"

Relheiras carregadas de história

O último passeio do ano, levou os pedestrianistas até à “Passagem das Bestas”, um local com mais de trezentos anos de história, devido aos carregamentos de lenha da Caldeira Guilherme Moniz, para abastecer Angra

Daniel Costa

O décimo passeio e último do corrente ano, iniciou-se no caminho entre a Furna da Água e do Cabrito, no antigo caminho denominado “Passagem das Bestas”, onde estão bem vincadas as maiores Relheiras conhecidas nos Açores, algumas das quais ultrapassam os 30 cm de profundidade, consequência da extracção continuada de lenha dessa zona ao longo de mais de trezentos anos, em virtude da passagem de carros de bois que, diariamente faziam o trajecto entre a Caldeira do Guilherme Moniz (chamada antes Conde da Praia) e Angra, uma vasta área aplanada pela lava, resultante dos escoamento do Vulcão que deu origem ao Algar do Carvão, que nivelou esta vasta área, mais tarde coberta de matos baixos e rasteiros de onde se extraiam as imprescindíveis lenhas para abastecer a cidade de Angra do Heroísmo, e seus arredores.
A lenha c
onsumida para os mais variados fins em Angra, vinha toda praticamente da Caldeira Guilherme Moniz. Para se ter uma ideia de tal importância, ao longo dos muitos anos, no último cartel do século XVlll, o Pe. Manuel Luís Maldonado em relação à vida económica de Angra em finais de mil e seiscentos, escrevia no “Fénix Angrense” que os 2.162 fogos, gastando uma carga de lenha por semana, e multiplicando esse numero por 52 semanas, “perfazem 112.424 cargas e vendendo-se cada carga por oitenta reis, preço comum, dá o produto de 8.993$920 reis”.
A título
de curiosidade, é de referir que em pleno século 20, mais propriamente na década de quarenta, aquando da II Guerra Mundial, em virtude do bloqueio imposto no Atlântico pelos submarinos alemães, esta actividade foi novamente retomada.
Serra do Morião e Caldeira Guilherme Moniz

O Maciço da Serra do Morião e da Caldeira do Guilherme Moniz trata-se de “um grande aparelho vulcânico, cuja cratera central corresponde à Caldeira do Guilherme Moniz”, os bordos Oeste e Sul da caldeira são constituídos pela Serra do Morião, cujo ponto mais alto, o Rosto, atinge 632 metros de altitude. Os bordos Norte e Este da Caldeira foram destruídos pelas erupções mais recentes dos aparelhos do complexo Vulcânico do Pico Alto (Terra Brava, Pico do Carvão, etc.).

Percurso

Após a apresentação do passeio por parte dos guias Paulos, o Barcelos e o Mendonça, que para além de tecerem os tópicos do mesmo, não se esqueceram dos habituais apontamentos históricos, sobre a zona a visitar, aspecto deveras importante nestas caminhadas para dar a conhecer e ajudar a perceber, a nossa identidade como ilhéus e compreender a nossa história. Deu-se então início à caminhada que, coincidiu praticamente pela zona da “Passagem das Bestas” onde era bem visível os sulcos feitos pelos carros de bois ao logo dos anos, as famosas “Relheiras”. Deixado para trás esta zona, os pedestrianistas chegaram ao Juncalinho num pasto, dando início à subida do mesmo em coluna, até aos Direitos do Juncalinho, situados no seu alto, de onde se podia observar, o Pico Careca bem como a Serra do Cume. Prosseguindo, o grupo rapidamente alcança a zona dos Terreirinhos, onde se consegue ver a vasta área dos cinco Picos, detendo-se num pasto para reagrupar e tirar a foto de família, tendo à frente a imensidão da Caldeira Guilherme Moniz, e como dia estava favorável, era possível enxergar com grande nitidez, o Maciço da Serra de Santa Bárbara.
Posteriormente, e já no caminho d
e regresso às viaturas, os caminhantes desceram o Pico Espigão em direcção novamente ao caminho entre as furnas da Água e do Cabrito, onde se encontravam imobilizadas as viaturas.

sexta-feira, 10 de outubro de 2008

9º Passeio pedestre dos Montanheiros – Morro Assombrado (2008)

Assombro espectacular

Da rica e intacta vegetação endémica selvagem, passando por labirintos de grandes fendas, que rasgam a terra.

Daniel Costa

O nono passeio pedestre e penúltimo da temporada, teve como destino o “Morro Assombrado” considerado por muitos o ex-líbris dos passeios pedestres, muitíssimo aguardado pelos habituais participantes que logo após a primeira incursão, ficaram apaixonados por tamanha beleza fora do comum, de contornos únicos nestas paragens, sendo por isso com grande emotividade que lá voltam, e com grande expectativa por parte dos caloiros, em função dos relatos abonatórios dos mais veteranos. Todavia, a ida ao tão afamado Morro, chegou a estar ameaçada, em função das condições climatéricas adversas, que se registavam no ponto de encontro decisivo, localizado no Pico da Bagacina. Com efeito, o céu cinzento a par de alguma neblina e de algumas quedas de água, a espaços mais violenta intercalada com algumas pausas que se registava no local, levou os promotores da iniciativa, a optar por um passeio alternativo (Baías da Agualva), salvaguardando no entanto a primeira hipótese, caso as condições climatéricas o possibilitassem, a quando da sua aproximação pela estrada que vai dar aos Biscoitos. Em plena descida e voltando o olhar para a direita, logo se constatou pelo céu azul que deixava penetrar o astro Sol, iluminando toda a área do Biscoito Rachado, que estavam reunidas as condições para finalmente e felizmente, o grupo aceder ao tão almejado Morro. No briefing que antecede as caminhadas, para além das habituais recomendações, os responsáveis chamaram a atenção para a espectacularidade do passeio, mas alertaram para a dificuldade do mesmo, colocando particular ênfase, na questão da segurança, alertando para o facto dos amantes da fotografia, as tirarem imóveis, e não em andamento, em virtude do piso irregular, onde as fendas em grande parte do percurso abundam. Posto isto, os participantes passaram uma última vistoria ao seu equipamento, acomodaram as mochilas e ala arriba por um pasto verdíssimo, até se deter no seu cimo, para posteriormente entrar no Trilho das Fendas o início do “Morro Assombrado”. O “Morro Assombrado”, situa-se na Serra do Labaçal, na freguesia das Quatro Ribeiras, local também conhecido por Serra com o nome da referida freguesia, em pleno Biscoito Rachado. Esta é uma zona conhecida pelo pé humano mas não pela sua mão, em virtude da irregularidade do seu traçado. Em 1843 o padre Jerónimo Emiliano de Andrade descrevia os matos da Terceira como (...) Em muitos lugares da Ilha, os matos são rotos e cheios de algares profundíssimos, cujas bocas muitas vezes estão escondidas pelos arbustos, que os cruzam e cobrem de verdura. É necessário que os homens que os pretendem penetrar os vão sondando atentamente para não serem precipitados em abismos...). Segundo José Maria, exímio explorador dos “Montanheiros” com largos anos de incursões e investigações aos matos da Terceira, (...) Os Algares, por ele citados de “profundíssimos”, não passam de grandes fendas, que rasgam a terra, algumas com mais de cem metros de comprimentos e que oscilam entre os cinco e trinta metros de altura, muitas delas ultrapassando os dois metros de largura, o que por vezes provoca um confuso labirinto de fendas, como é o caso do selvagem mas espectacular “Morro Assombrado”(...). Por este facto, esta área embora conhecida, não era utilizada pelo homem, na criação de cabras e retirada de madeira, o que lhe possibilita, encontrar-se no seu mais puro estado selvagem, onde se pode encontrar uma rica vegetação Laurissilva. O nome “Morro Assombrado” foi dado pelosMontanheiros”, pois a quando das suas expedições a este lugar, e como as mesmas se realizavam mais no Inverno, este local pelo seu relevo medonho e confuso, à densa floresta, aos barbudos nevoeiros e aos ventos que sopravam forte por cima dos seus labirintos, criava uma atmosfera em que a designação assombrado assentava que nem uma luva, daí ter ficado baptizado de “Morro Assombrado”. A primeira parte do deslocamento, desenrolou-se por entre vegetação de média altura, maioritariamente composta por cedro, contornando o bordo do Biscoito da Ferraria de donde se abriam algumas janelas onde era possível vislumbrar toda esta bela e rica área, até à imponente Rocha do Chambre, com a Serra de Santa Bárbara ao fundo. Seguidamente, a coluna encetou uma descida a pique, com algum grau de dificuldade, onde todos os cuidados eram poucos, para evitar alguma situação desagradável. Uma vez concluída a descida, entrou-se num local de vegetação endémica, alta e cerrada, prosseguindo a marcha por entre diversas fendas de variadas comprimentos e larguras, até ao Obelisco, uma rocha isolada em forma de aguilhão na entrada do Morro, que antecedeu a entrada no labirinto, onde se situa a passagem do Morro de baixo para o Morro de cima, labirinto esse que é percorrido em grande parte entre fendas altas, com a rocha basáltica revestida de musgos de várias tonalidades, de uma beleza rara. Prosseguindo, o grupo fez a aproximação às Torres de Pedra, duas pedras que se erguem paralelamente por entre a vegetação, outro dos pontos altos do passeio, que antecedeu a passagem por entre a Rocha Fria, também conhecida por Arca Frigorifica, nome dado em função do esfriamento da zona, continuando depois pela grota que se situa entre a Serra do Labaçal e o Biscoito da Ferraria, um local onde a Roca-de-Velha emerge teimosamente por entre a vegetação endémica.Caminhava-se a passos largos para o final do passeio, antes ainda a passagem pela Cova das Pardelhas, ou Cova das Criptomérias, antes da subida final, que levou os caminhantes até ao pasto, que fez a ligação à canada em direcção às viaturas.

quinta-feira, 2 de outubro de 2008

8º Passeio Pedestre dos Montanheiros – Mistérios Negros (2008)

Por trilhos de lavas rugosas

Da imponência do Cedro-do-Mato, que impressiona pela sua espessura, passando pelas ricas e vistosas Turfeiras, até aos Domas de lavas viscosas, densas e rugosas, resultantes da primeira erupção histórica de 1761

Daniel Costa

Com a chegada do mês de Setembro, chega igualmente o Outono, período em que as condições climatéricas se tornam mais instáveis, sinal que entramos na recta final de mais um ano, e consequentemente dos passeios pedestres organizado pela Associação Espeleológica “Os Montanheiros”.
Assim, após a realização de mais esta caminhada, a 8ª do corrente ano, ficam apenas a faltar duas para o términos da campanha 2008, ficando-se na expectativa, a aguardar aquilo que o novo ano trará no que diz respeito a esta matéria.
Este octo passeio, poderá dividir-se em dois digamos assim, uma vez que a primeira parte do mesmo foi realizado numa zona selvagem, de vegetação endémica, onde o Cedro
-do-Mato impressionava pela sua imponência e espessura, numa área admirável, uma das mais ricas da Ilha e espectaculares no que ao Cedro-do-Mato diz respeito. No chão e em toda a extensão do percurso, estendia-se aos nossos pés, uma autentica passadeira de Turfeira riquíssima, que se propagava aos galhos dos Cedros, cobertos também de musgos e pequenos fetos, que transmitiu uma tranquilidade e sentido de liberdade único, que levou os participantes a cruzar a área dos Mistérios Negros, local anteriormente chamado de Vale Fundo, que com a primeira erupção histórica de 1761, desapareceu, dando lugar aos domas de lavas viscosas, densas e rugosas, rochas pouco consistentes, empurradas de baixo para cima, que aí se formaram.

As erupções

Rezam as crónicas da altura, que a 14 de Abril de 1761, a terra começou a tremer com insistência, algumas vezes de forma violenta, era o sinal do que depois viria a suceder, uma primeira erupção vulcânica, ocorrida no dia 17 que daria origem aos seis domas que constituem os Mistérios Negros, ocorrida entre os Picos Gordos e a Serra de Santa Bárbara.

Quatro dias depois, nova erupção sucedeu de contornos mais fortes, dando então origem ao Pico do Fogo, Pico Vermelho e Pico das Caldeirinhas, desenvolvendo-se também segundo os relatos da época, em três correntes de lava, a primeira rumo a oriente, com paragem num local designado de Chama, a segunda dirigiu-se para Ocidente, lançando uma propagação para Norte até ao Tamujal, e a terceira a superior, deslocou-se para Norte, dividindo-se posteriormente em duas, uma das quais estagnou no Vimeiro e a outra foi dar ao Juncalinho, chegando mesmo a invadir os Biscoitos e a destruir algumas casas.

O negro dos Domas e o verde da vegetação

Depois de se transpor esta zona rochosa onde todo o cuidado foi pouco para se a ultrapassar, obrigando a coluna a uma efectuar uma marcha lenta, no sentido de transpor os obstáculos sem danos, uma nova porta se abriu dando entrada a uma zona de vegetação endémica rica em Cedro-do-Mato, com alguns azevinhos à mistura, como muita Turfeira à mistura, o que dava uma sensação única á medida que se avançava, e que levou os participantes a uma área idêntica a um desfiladeiro, passando por entre dois Domas.
Caminhava-se a passos
largos para o final desta parte selvagem do passeio, quando se entrou num local aberto, ladeada por muitos fetos já secos situação própria para a altura do ano, de onde era possível contemplar o Pico Gaspar, também conhecido por Cesto Redondo, ou Pico das Cracas, sobretudo pelos pescadores de São Mateus, em virtude de ser um ponto de referência visto do mar, antes de se entrar numa zona de altas Criptomérias que no seu final, fazia a ligação com o passeio turístico.
Já em pleno percurso turístico devidamente sinalizado, a progressão deu-se por uma Canada espaçosa, um percurso sempre em sentido ascendente de inclinação acentuada, até ao alto do Pico da Cancela, de onde era possível desfrutar de uma paisagem magnífica, oportunidade de imediato aproveitada pelos participantes amantes da fotografia, colocarem o dedo no
gatilho.

Após esta pequena pausa, entrou-se por entre Criptomérias, que levou os caminhantes, até um
marco onde se procedeu à pausa para o almoço, acontecimento por razões óbvias sempre bem-vindo.
Retomada a marcha, a mesma desenrolou-se novamente por entre Criptomérias, entrando-se posteri
ormente numa zona mais aberta que levou os amantes da natureza à Canada dos Mistérios Negros, que após percorridos alguns metros e virando à direita, penetrou-se novamente numa área de vegetação endémica fechada, aparecendo a espaços algumas clareiras nos bordos do negro das pedras dos Mistérios Negros, entrando-se posteriormente numa zona mista, que fazia numa primeira fase, a fronteira entre a vegetação endémica e a vegetação exótica, que antecedeu a chegada ao pasto de onde se deu o ponto de partida, para mais este evento de cariz ambiental e histórico.

quarta-feira, 17 de setembro de 2008

7º Passeio Pedestre dos Montanheiros (Vereda Velha 2008)

Quando a bruma desce à serra

A Vereda Velha, é um trilho situado no lado Norte da Serra de Santa Bárbara, que era utilizado pelos habitantes dessa zona, para as incursões à Cadeira para os mais diversos fins.
Após a interrupção habitual de Verão, foram retomados os passeios pedestres sob a responsabilidade dos “Montanheiros”, na circunstância, o sétimo da temporada. Escusado será dizer que o referido passeio já há muito era esperado pelos fiéis seguidores, número que felizmente tem vindo a aumentar, o que diz bem da importância, do apego e do respeito que os admiradores do meio ambiente têm pela sua riquíssima vegetação endémica. Após as primeiras chuvadas de Setembro, a meteorologia previa alguma instabilidade, tal como neblina e alguns aguaceiros, o que facto de veio a confirmar, mas nada que colocasse em causa a marcha. Antes pelo contrário. A névoa até tem o seu encanto e dá-nos outra visão do mato, quiçá, mais sinistra, imprevisível, com um leve cheirinho a aventura, e a precipitação que banhou os caminhantes por poucos minutos até foi bem-vinda para refrescar o corpo. Este passeio, denominado Vereda Velha, levou os participantes até ao lado norte da ilha Terceira, mais propriamente à freguesia dos Altares, desenrolando-se na costa norte da Serra de Santa Bárbara. O lado norte da Serra de Santa Bárbara é formado por três aparelhos vulcânicos, encontrando-se um deles na direcção norte/sul (área onde se realizou o passeio) que, por sua vez, é formado por seis aparelhos vulcânicos, em que o principal é o Pico Rachado (com 829 metros de altura), no qual o escoamento de lava se estende um pouco para além dos 2,5Km. Tratando-se de traquitos com fenocristais de feldspato alcalino e piroxena sódica. Nos declives externos, e no contorno da Serra de Santa Bárbara, existem escoamentos de lavas basálticas, quase sempre tapadas por materiais piroclásticos mais modernos. Este passeio teve o seu arranque na Canada do Pico Rachado e, após alguns metros, iniciou-se o deslocamento por um pasto situado a sul do Pico Rachado, com um elevado grau de inclinação, a par de algumas zonas mais encharcadas, habilmente contornadas pelos mais experientes e, por vezes, pisadas pelos novatos. Subida que deixou ofegante toda a coluna quando alcançou o seu cimo. Aí, procedeu-se a uma pausa para reagrupar e para os guias darem as imprescindíveis indicações. Com o grupo mais descontraído, penetrou-se então na Vereda Velha, trilho situado entre o Pico Rachado e o Pico Redondo (847 metros de altitude), contornando este, vereda utilizada frequentemente há anos atrás pelos habitantes do lado norte da ilha, principalmente das freguesias dos Altares e Raminho, nas suas incursões à Caldeira da Serra para os mais diversos fins, nomeadamente a recolha de lenha. Foi cerca de uma hora e quarenta minutos sempre a subir, por um trilho bem definido, por vezes mais alargado outras vezes muito estreito, por entre cerrada vegetação endémica, com piso escorregadio fruto de algum encharcamento e da forte humidade que se fazia sentir. Depois de atingir uma pequena clareira, denominada de Curral Pequeno, o grupo prosseguiu a sua marcha por entre a vegetação, a espaços mais aberta, deixando penetrar de uma forma suave a bruma que se deslocava lentamente, fazendo os caminheiros parecerem autênticos exploradores acabados de chegar a uma ilha estranha em busca do desconhecido. Poucos minutos depois, a cabeça da coluna atingiu uma clareira de maior dimensão, chamada Curral Velho, detendo-se aí até o grupo reagrupar, momento em que a precipitação se fez notar com maior intensidade, obrigando os mais precavidos a vestir os impermeáveis para maior conforto, enquanto os mais desprevenidos e audazes permaneciam impávidos e serenos, sentindo o amolecer das t-shirts e dos pólos, fruto da água fresca que caía escorrendo alguma pela pele nua dos braços. A partir desta área, o percurso dividia-se em dois, para a direita subia-se até à berma da Caldeira, o percurso que foi efectuado, o outro seguia em frente sempre pela encosta norte da Serra, denominado Atalho dos Burros. O único objectivo da utilização do referido atalho era a apanha de lenha, muito abundante naquela área, e também a procura de urze, para se fazerem tinchões, para suporte das vinhas, havendo mesmo quem retira-se daí o seu ganha-pão, até há sensivelmente 50 ou 60 anos atrás. Existiam, porém, outros trilhos de mais fácil acesso à Caldeira, mais propriamente à vasta zona do chamado Canadão, e eram usados para a criação de leitões, que aí permaneciam até à altura da matança. Até há cerca de 20 anos atrás, ainda era possível vislumbrar leitões e cabras selvagens no Canadão da Caldeira da Serra de Santa Bárbara. Uma vez alcançado o bordo da serra, procedeu-se então à descida a pique, em que o médio grau de dificuldade da descida provocou alguns deslizamentos humanos, como sempre e felizmente sem consequências, a não ser alguma nódoa negra que ficou para a posterioridade, saindo apenas em alguns casos a roupa mais mal tratada, leia-se enlameada. No Canadão, deu-se então a pausa para o almoço, acontecimento que foi antecipado, uma vez que as condições climatéricas, devido à nebulosidade, não eram favoráveis à deslocação à Lomba Careca, local inicialmente previsto para esse efeito. Depois desta pausa, sempre bem-vinda para trincar alguma coisa, a coluna reiniciou o seu deslocamento em plena Caldeira, em direcção às Caldeirinhas, local também conhecido por Clareira da Grota ou Clareira da Lomba, entrando-se posteriormente no Portal das Lombas, onde existe um pequeno riacho que liga a Lomba Careca. Na fase terminal do passeio, os participantes dirigiram-se então à Vereda dos Aguilhões, trilho que faz a ligação do interior da Caldeira, junto da Lomba Careca, para o exterior, subindo e descendo o Pico do Aguilhão (que com os seus 927 metros é o mais alto da ilha, estamos a falar de Picos não da elevação mais alta que é a serra com 1021 metros) em direcção ao Pasto da Língua, onde, um pouco mesmo ali ao lado, se encontra a Nascente da Ginjeira. Descendo o pasto, chegou-se finalmente a uma canada que levou os participantes até às viaturas, finalizando mais um passeio inesquecível.

quarta-feira, 9 de julho de 2008

6º PASSEIO PEDESTRE DOS MONTANHEIROS PICO AGUDO / PICO ALTO (2008)

Panorâmica única

Este passeio, ficou marcado pela abrangência e excepcional paisagem que estes picos oferecem, mas sobretudo pela informação, que apanhou todos de surpresa, da suspensão dos passeios pedestres dos Montanheiros já para o novo ano, em virtude da publicação para breve do diploma Regional, que cria o parque natural da Ilha Terceira, que deverá condicionar este e outros tipos de actividades lúdicas no interior das zonas classificadas, mas que se espera, não contribua para o fim destas iniciativas em definitivo.

O sexto passeio pedestre organizado pelos Montanheiros, em parceria com a Câmara Municipal de Angra do Heroísmo, levou desta feita os fieis amantes destas coisas da natureza, ao Pico Agudo, situado em plena Terra Brava, e ao Pico Alto.
Este era aliás o sétimo passeio agendado no calendário do ano anterior, mas que devido ás condições climatéricas adversas, acabou por ser substituído por um alternativo, (Caldeira das Lajes) embora os caminhantes ainda se tenham aventurado nele alguns metros, antes de efectuar inversão de marcha.

Pico Agudo

Situado no lado poente do caminho das Lagoinhas, em plena Terra Brava, o Pico Agudo com os seus 789m de altitude, embora longe de ser o mais alto da ilha, é aquele que devido ao seu posicionamento geográfico, oferece uma maior e melhor panorâmica da ilha, superiorizando-se mesmo neste contexto, á maior elevação da Terceira, a Serra de Santa Bárbara.
O Pico Agudo, emerge na vasta área da Terra Brava, numa das zonas mais primitivas da ilha, de difícil orientação, apresentando um relevo bravio, anárquico, que devido á irregularidade do seu terreno, ao mato cerrado e aos densos nevoeiros, tem conseguido escapar ás beliscaduras humanas.
A Terra Brava, é um local de vegetação endémica riquíssima, que brota do terreno vegetal que a sustenta, podendo lá se encontrar, entre outros, Cedro-do Mato, Louro, Urze, Tamujo, Sanguinho, Pau Branco, Azevinho, Alfacinhas e outras herbáceas endémicas, vários musgos de diferentes tamanhos e tonalidades, bem como diversos fetos e alguns exemplares de uma trepadeira rara, denominada smilax canariensis.
A Terra Brava, é igualmente
um grande reservatório de água, devido ao acumular de água nas suas abundantes turfeiras, e foi uma zona também utilizada pelos cabreiros, que devido á distância e dificuldades do terreno, pernoitavam no mato, dormindo em abrigos construídos rudemente com as próprias mãos.
Para além disso, era usual em pequ
enas clareiras bem visíveis no trajecto que levou a coluna até ao Pico Agudo, encontrar-se covas de carvão, onde se queimava a madeira até se transformar em carvão, e que posteriormente era abafada, e transportada para ser usada para os mais diversos fins: nas tendas dos ferreiros, nos velhos ferros de engomar, etc.

Pico Alto

O Pico Alto situado na maior freguesia da ilha Terceira a Agualva, é um dos quatro Picos que se situam acima dos 800m de altitude, ocupando curiosamente com os seus 808m, a quarta posição neste ranking, atrás do Pico do Aguilhão, (o mais alto da ilha) Pico Redondo e Pico Rachado, respectivamente.
O Pico Alto, é o ponto mais alt
o do maciço a que deu o nome, um dos quatro aparelhos vulcânicos principais que formam a ilha. O Maciço do Pico Alto, corresponde a um grande complexo vulcânico sobretudo traquítico, com vários pontos eruptivos, que provavelmente estará apoiado numa antiga caldeira, que terá sido aniquilada e preenchida por lavas de erupções mais recentes.
Os centros eruptivos mais visíveis, foram o Pico Alto, Pico das Pardelhas e Biscoito Rachado, cujos derrames correram no interior formando o Biscoito da Ferraria e até à costa norte da ilha.

O adeus ao Pico Agudo e Pico Alto?

Aquele que eventualmente terá sido o último passeio, pelo menos nestes moldes, ao Pico Agudo e Pico Alto, conforme foi informado pelo guia e presidente da Associação Os Montanheiros, Paulo Barcelos, apanhou todos de surpresa, causando grande estupefacção geral, acabando por ser mesmo a grande nota do dia.
Segundo o líder dos Montanheiros, a
pós várias décadas a organizar expedições ao interior da ilha, em locais desconhecidos do grande público, mais inacessíveis, mas também mais sensíveis, será cumprida a calendarização prevista para este ano de acordo com o planeado. No entanto, em consequência do novo diploma Regional que cria o Parque Natural da Ilha Terceira, deverão ser levantadas restrições ao acesso a determinadas áreas reclassificadas ao abrigo da nova legislação. Em face disso, a fim de evitar qualquer tipo de atrito ou atropelos às competências da Comissão de Gestão do futuro Parque, decidiu a associação desde já tornar público que irá suspender a organização dos tradicionais passeios, até que possa ser acordado forma de os retomar, num formato aceite por todos.
Paulo Barcelos esclareceu que, felizmente para efeitos de Conservação da Natureza, a ilha Terceira possui das maiores e melhores florestas de vegetação natural dos Açores, visitada durante muitos anos pelos Montanheiros e alguns privilegiados que os acompanhavam nos seus passeios, mas que agora vamos entrar num nova etapa, para o qual a associação estará sempre disponível a colaborar com as entidades competentes.
Numa altura em que ainda estão a ser revistas as últimas alterações à proposta inicial do diploma, desconhece-se ainda o que irá ser impo
sto no futuro. Espera-se e deseja-se no entanto, que embora com novas regulamentações, a Comissão de Gestão do novo parque a criar, seja sensível á necessidade de manter Percursos Pedestres no interior dessas áreas, para fins recreativos, científicos e para a própria gestão do parque.

O deslocamento

O início da caminhada, deu-se na zona da Lagoa Seca, uma primeira fase de subida pouco acentuada, primeiramente por um local de vegetação mais rasteira, mas que rapidamente deu lugar a uma vegetação endémica típica da Terra Brava mais fechada, passando-se aqui-e-ali por pequenas clareiras, onde como já foi mencionado, se procedia à queima de madeira para posteriormente ser transformada em carvão.
Andando às voltas, porque a irregularidade do terreno assim o determinava, os caminhantes rapidamente encetaram a subida final ao Pico Agudo, agora mais acentuada e exigente, alcançando por fim o seu to
po, onde a fabulosa visibilidade, ultrapassava largamente as melhores expectativas.
De facto, é impressio
nante a visão que nos é oferecida, desde a majestosa Serra de Santa Bárbara, desta feita mais envergonhada devido ás nuvens que a tapavam, toda a vasta área do Biscoito da Ferraria, o Morro Assombrado, Pico do Junco, Biscoito Rachado, Pico da Salsa, Serra do Cume e Morião, entre outros, uma infindável panorâmica, de facto única.
Sob a ameaça de um chuvisco miudinho, que se lembrou de aparecer, procedeu-se então á descida do Pico Agudo, em direcção ao Pico Alto, o segundo objectivo do dia.
Pelo meio uma paragem, para o almoço numa clareira denominada de Buraco,
antes da subida ao marco do Pico Alto, de onde a paisagem a desfrutar é igualmente digna de registo.
Tirada a foto de grupo, encetou-se o caminho de regresso, descendo em direcção ao Carreiro, o que resta do antigo Caminho do João Coelho, aberto a mando do próprio, um indivíduo abastado da freguesia da Agualva, que o mandou abrir para fazer a ligação entre esta freguesia e o Cabrito, com paragem final junto das viaturas.
À semelhança dos anos anteriores, os passeios pedestres sofrem uma pequena interrupção, voltando a 7 de Setembro.

quarta-feira, 11 de junho de 2008

5º PASSEIO PEDESTRE DOS MONTANHEIROS SERRA DE SANTA BÁRBARA (2008)

Um manto de riqueza endémica


Os fascínios, mistérios e encantos da elevação mais alta da Ilha, a sua arrebatadora caldeira, tão rica e abundante em espécies endémicas, as suas lagoas e vales e a sua importância para a investigação cientifica.

A Serra de Santa Bárbara, é ponto mais elevado da Terceira, e um dos 4 aparelhos vulcânicos principais que constituem a Ilha.
O aparelho vulcânico da Serra de Santa Bárbara, tem aproximadamente cerca de 8 a 9 Km de diâmetro e uma altitude de 1021 m, constituído fundamentalmente por arremesso de pedra-pomes com alternações de lavas andesíticas na base e traquíticas na parte superior.
Na parte superior da Serra abre-se uma caldeira cujo maior diâmetro é na ordem dos 2 a 2,5 Km, que para ser ter uma ideia, é maior do que o Monte Brasil e tem a profundidade actual de 150 m.

A Caldeira, é em parte preenchida por um amontoado de lavas traquíticas, por um relevo formado por alguns vales e com uma diversidade endémica riq
uíssima, de onde se destaca a abundante floresta Laurisilva e o raríssimo feno festuca jubatae, desaparecido da Europa.

A Viagem

Uma vez reunido todo o grupo na zona das antenas, no briefing que antecede todas as caminhadas, o guia Paulo Mendonça, deu a conhecer de uma forma resumida mas explícita, o tipo de percurso que se iria efectuar e cuidados a ter com a segurança e com o meio ambiente, uma vez que a caminhada mais ou menos longa, se iria desenrolar por uma zona muito sensível, começando e terminando por uma área húmida designada de “lava pés”.
A aragem que soprava do quadrante Sul, ameaçava rapidamente colocar em “pele de galinha”, os mais afoitos e destemidos, que se aprese
ntaram com vestimentas mais leves, mas como o mato tem as suas vicissitudes, uns metros mais á frente, quando se iniciou a descida para a primeira zona húmida, o calor fazia-se sentir de uma forma brusca e inicialmente reconfortante, começando os mais precavidos e cautelosos a aliviar o seu vestuário.
Em plena área húmida, e reagrupado o grupo, iniciou-se então o deslocamento, de uma forma compacta, contornando o grosso do espaço húmido, efectuando uma espécie de meia lua, até se chegar finalmente a um terreno mais seco e de vegetação mais alta, composta maiorit
ariamente por cedro-do-mato, antes de se entrar no Trilho dos Miradouros, de onde através de algumas janelas do alto da rocha basáltica talhada, era possível visualizar uma parte da majestosa Caldeira da Serra, visualizando a cratera antiga o enchimento de uma segunda erupção, e toda a sua beleza envolvente, não passando despercebida bem lá no fundo, a bonita Lagoa Funda.
Continuando a percorrer o referido trilho, agora com uma vegetação mais alta, os caminhantes aproximaram-se rapidamente da descida do Portal, aquela que os levariam até à Caldeira, a um sitio denominado Portal dos Ventos, onde se pode constatar, o porquê desse nome, fazendo-se então uma pausa para reagrupar, oportunidade para se trincar alguma coisa e refrescar de u
ma forma mais pausada e abundante a goela, porque o calor assim o obrigava.
Reiniciada a caminhada e passados alguns metros, os exploradores tiveram então oportunidade de ver todo o amplo e belo Vale dos Leões, nome que não deixa de ser estranho e como tal desperta a curiosidade, uma vez que o majestoso rei dos animais, não consta d
estas paragens, então de onde veio tal nome? a resposta está nos abundantes tufos arredondados dispersos pelo Vale, que se assemelham ás jubas do imponente felino.
Um pouco mais á frente, chegou-se então à Lagoa Negra, ou o que resta dela, já que a água não é visível, restando apenas a húmidade e a erva deitada di
sciplinadamente, como que cuidadosamente penteada.
Foi o local bem escolhido para o almoço, devido à amplitude do Vale, onde era possível observar cá de baixo, a imponência da rocha negra que circundava todo o vale, uma imagem única de uma be
leza impar.
Com a barriguinha rec
onfortada, as energias acumuladas desapareceram num ápice, após a subida íngreme e longa que levou a coluna até ao Canadão, de onde foi tirada a foto do grupo.

Da criação de porcos ao estudo cientifico

Nesta parte da Serra chamada Canadão, era usual até pelo menos ao início dos anos oitenta, a criação de porcos, que aí eram deixados, alimentando-se da erva e da água abundante.
Esta zona do Canadão, é ig
ualmente riquíssima de um feno chamando cientificamente de festuca jubatae, outroa abundante na Europa, mas que com a era glaciar, desapareceu por completo, encontrando-se apenas nos Açores, daí que seja frequente a vinda de estudantes universitário europeus, na área da Biologia a esta local, para estudar este tipo de feno único no Hemisfério Norte.
Posteriormente, deu-se a aproximação à nascente da Caldeirinha, on
de a água jorra fresca e cristalina, e que a alguns metros dali, era visível as marcas deixadas pela maquinaria, na tentativa que não resultou, de se retirar água para abastecer algumas freguesias, carenciadas deste precioso líquido.
Subindo mais um pouco, e passando novamente por uma área mais húmida, ergue-se uma pequena clareira, surgindo a um canto a Lagoa do
Pinheiro também conhecida por Lagoa Alta, e
m virtude de ser a mais elevada da Ilha Terceira, encontrando-se entre os 900 e 1000 m de altitude.
Caminhava-se para o fin
al do passeio, com passagem pela Vereda Alta no bordo cimeiro da Serra, de onde era possível ver outra área da Caldeira, em que se destacava a Lagoa Negra, onde os caminhantes haviam almoçado.
Com as antenas bem á v
ista, numa ápice, a coluna as alcançou, terminando da melhor forma um passeio, que certamente perdurará na memória, de todos quantos tiveram o grato privilégio de participar.