quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

Entrega de prémios e encerramento da época desportiva 2008

“Montanheiros” entregam prémios

Terminada a temporada de desporto/lazer, procedeu-se à entrega de prémios aos que mais se destacaram, e relançou-se a nova época, onde irão ser introduzidos novos melhoramentos, no sentido de a tornar mais atractiva e competitiva.

Daniel Costa

Decorreu na noite do
passado dia 1 de Dezembro, na sede da Associação “Os Montanheiros” e englobado no vasto programa comemorativo de mais um aniversário, na circunstância o 45º, o encerramento e entrega de prémios aos que mais se destacaram na temporada desportiva de 2008, no âmbito do desporto/lazer. Esta associação em colaboração com a Culturangra e Câmara Municipal de Angra do Heroísmo (C.M.A.H.), levou a efeito mais um programa desportivo que se iniciou em Maio com o AVENTUR 2008 e finalizou neste mês de Dezembro com os tradicionais e emblemáticos DEGRAUS DO ALGAR DO CARVÃO.
Pelo meio realizou-se a
ORIENTURBE, uma prova de orientação em recinto urbano, seguindo-se a CICLONATURA que decorreu no Monte Brasil, posteriormente veio a ESCALAROCHA que consiste na escalada em rocha natural, e que decorreu na zona da chanoca, RUMOS CAMPESTRES foi a seguinte, mais uma prova de orientação, mas agora realizada na bonita área envolvente da Lagoa do Negro, seguindo-se o TREPA PAREDES, outra prova de escalada, desta feita em parede natural, realizada na Escola Secundária Jerónimo Emiliano de Andrade. Refira-se que estas modalidades desportivas, tem vindo a ganhar adeptos e praticantes entre nós, e com isso conquistando o seu espaço ao nível do desporto e lazer, conseguindo unir os dois factores num ambiente salutar como é o ar livre. Usando da palavra na sessão de encerramento e entrega de prémios, Paulo Mendonça da direcção dos “Montanheiros”, numa breve introdução, agradeceu às entidades e pessoas que, colaboraram na realização dos eventos que agora chegam ao fim, recordando as diversas provas que se realizaram durante o corrente ano. Salientado que para o ano de 2009, “os “Montanheiros” pretendem continuar com um programa do género deste de desporto/lazer, porventura vamos tentar melhorar o que for possível, e para isso estamos sempre abertos a opiniões dos participantes, porque nós fazemos isso para os participantes”. Continuando diria que, “pretendemos cada vez mais que, as nossas acções se distanciem o máximo possível do desporto tradicional de competição, pretendemos que nas nossas realizações, haja sempre o factor de decisão, em que não conte só o factor físico” frisou. Apostar na divulgação das provas, embora os “Montanheiros” não sejam uma organização de provas desportivas, é outra das intenções da associação. Por fim, Paulo Barcelos presidente da instituição, usou também da palavra, começando por explicar os critérios que levaram à escolha e modelo dos prémios a atribuir, o líder dos “Montanheiros” recordou que esta é uma associação de ambiente “e não é propriamente uma associação de actividades, embora as fizéssemos porque se enquadra numa estratégia que, é a actividade de lazer e recreativa em espaços naturais, e que vem preencher uma lacuna nesta área, uma vez que havendo outras instituições, nenhuma delas preenche este espaço” sintetizou. Referindo por fim que, uma das mudanças que se irá verificar no próximo ano resulta da alteração dos estatutos, onde foram introduzidos dois ou três artigos, naquilo que são os objectivos da Associação, “o que nos permite um diálogo mais próximo com a Direcção Regional do Desporto, através da direcção de serviço denominado desporto para todos” concluiu. Seguindo-se finalmente a entrega de prémios, e um beberete convívio entre os presentes.

AVENTUR 2008 - 22 de Maio

Escalão

Nomes (Designação)

Pontuação / Tempo

Classificação




















Equipas

Pedro Bartolomeu (CPA)

1:31:00

Equipas

João Valadão (CPA)

Equipas

Adriano Toste (CPA)

Equipas

Gil Navalho (TNC)

1:51:00

Equipas

Luísa Calado (TNC)

Equipas

Miguel Tavarela (TNC)

Equipas

Pedro Cardoso (PSRY)

2:30:00

Equipas

Sam Byiers (PSRY)

Equipas

Ryan Morgan (PSRY)

ORIENTURBE 2008 - 21 de Junho

Escalão

Nomes (Designação)

Pontuação / Tempo

Classificação

Equipas

Pedro Cardoso

0:34:30

Equipas

Isabel Rosário

Equipas

Clara Gaspar

Equipas

Dénio Álamo (Papa Terra)

0:45:40

Equipas

Carina Gonçalves (Papa Terra)

Equipas

Mafalda Lourenço (Papa Terra)

Equipas

Henrique Cruz (Papa Terra)

Equipas

Margarida Silva (Amora)

0:55:30

Equipas

Filipe Silva (Amora)

Equipas

Ana Sousa (Amora)

Equipas

Vera Santos (Amora)

Jun. Masculinos

Miguel Medeiros

0:32:47

Jun. Masculinos

Vítor Costa

0:49:47

Sen. Masculinos

Ricardo Baptista

0:36:36

Sen. Masculinos

João Valadão

0:42:31

Sen. Masculinos

Daniel Costa

1:02:50

Femininos

Carla Costa

1:00:40

Femininos

Alexandra Grilo

1:14:30

Femininos

Erica Baron

1:17:40

CICLONATURA 2008 - 27 de Setembro

Escalão

Nomes (Designação)

Pontuação / Tempo

Classificação

Masculinos

Pedro Bartolomeu


Masculinos

Jorge Nunes


Masculinos

Alexandre Leonardes


ESCALAROCHA 2008 - 2 de Novembro

Escalão

Nomes (Designação)

Pontuação / Tempo

Classificação

Equipas

Margarida / Tarzan (Tarzan e Jane)

413

Equipas

Tiago / André (Casa do Benfica - SLB)

382

Equipas

Cris / Barbara (Angry Crabs)

310

RUMOS CAMPESTRES 2008 - 15 de Novembro

Escalão

Nomes (Designação)

Pontuação / Tempo

Classificação

Equipas

Samuel Pires / Mário Corvelo

0:40:30

Equipas

Pedro Cardoso / Clara Gaspar

1:11:40

Masculinos

Daniel Costa

1:18:00

Masculinos

Vítor Costa

1:19:50

Masculinos

Pedro Bartolomeu

1:45:10

Femininos

Carla Costa

1:16:50

TREPA PAREDES 2008 - 29 de Novembro

Escalão

Nomes (Designação)

Pontuação / Tempo

Classificação

Sen. Masculinos

André Correia


Sen. Masculinos

Tiago Mendes


Sen. Masculinos

Alexandre Jacinto


Vet. Masculinos

Jorge Nunes


Femininos

Ana Rita Nogueira


Femininos

Margarida Oliveira


DEGRAUS DO ALGAR DO CARVÃO 2008 - 1 de Dezembro

Escalão

Nomes (Designação)

Pontuação / Tempo

Classificação

Jun. Masculinos

Pedro Cabral

0:01:34

Jun. Masculinos

Fábio Ferreira

0:01:36

Jun. Masculinos

Nasmul Alam

0:01:52

Jun. Masculinos

João Coelho

0:01:52

Sen Masculinos

Samuel Pires

0:01:05

Sen Masculinos

Bruno Machado

0:01:13

Sen Masculinos

Rodrigo Ferreira

0:01:15

Vet. Masculinos

Jorge Nunes

0:01:08

Vet. Masculinos

Osvaldo Terra

0:01:15

Vet. Masculinos

Pedro Bartolomeu

0:01:27

Vet. Masculinos

Jorge Ferreira

0:01:27

Femininos

Daniela Lima

0:02:18

Femininos

Fabiana Silva

0:02:33

Femininos

Márcia Pimentel

0:02:37




















terça-feira, 18 de novembro de 2008

RUMOS CAMPESTRES 2008

Às voltas com a intempérie

Emergindo do nevoeiro, o General Inverno fez a sua aparição, obrigando os seus subordinados a orientarem-se rumo aos objectivos, por entre condições climatéricas desfavoráveis.

Realizou-se ao início da tarde do passado Sábado dia 15, na bonita área envolvente da Lagoa do Negro e dos Mistérios Negros, mais uma edição da prova RUMOS CAMPESTRES 2008, promovida pelos "Montanheiros", Câmara Municipal de Angra do Heroísmo e pela Culturangra.
A concentração deu-se por volta das 13:30 horas, no secretariado montado na Casa de Abrigo da Gruta do Natal,
para levantamento dos cartões de controle e eventuais inscrições dos mais retardatários, seguindo-se depois o briefing de apresentação da prova, arrancando o primeiro concorrente às 14:00 horas.
Perante condições climatéricas adversas, onde o vento, o nevoeiro e a chuva marcaram presença, decididamente condicionados por esse factor, acabaram por ser um número reduzido de atletas que compareceram na linha de partida, havendo mesmo quem desistisse em cima da hora.
Todavia, há hora marcada os resistentes, lá foram saindo com intervalos de dois minutos, primeiro os concorrentes individuais e por fim os que participaram em equipa.

Logo à partida, uma fortíssima chuvada se abateu em toda a extensão da Lagoa do negro e dos Mistérios Negros, deixando os participantes encharcados quem nem uns pintainhos. A chuva fria escorria abundantemente pelas faces quentes dos atletas, aumentado o peso da roupa e dificultando mais um pouco os movimentos, com especial destaque para a malta que usava óculos, pois a chuva e o calor do rosto deixavam os mesmos com um mistos de água e de embaciamento, dificultando a visão, e a solução a espaços, era mesmo olhar por cima do precioso auxiliar do olho.
Mas, decididos em levar a prova até o fim, lá prosseguiram por entre pastos e montes, picos e elevações, com uma grande dose de encharcamento ( e ainda há quem diga que não existe água) saltando paredes e arames farpados, onde por vezes as silvas teimavam em os segurar, na procura incessante dos pontos de referência no terreno.

Apesar da meteorologia desfavorável, todos os concorrentes lograram alcançar os objectivos, e no final mesmo alagadiços a satisfação era a nota dominante, porque esta prova de orientação
desenvolvida na natureza, ainda por cima com o tempo que se fazia sentir, aumentando significativamente as dificuldades é deveras aliciante, porque consegue aguçar os níveis de adrenalina, e o espírito de aventura de quem normalmente procura este tipo de provas.
Esta prova denominada RUMOS CAMPESTRES, foi disputada numa área de aproximadamente quatro quilómetros quadrados, com um figurino diferente do ano anterior, com apenas cinco pontos no terreno, iguais para todos os escalões, escolhidos pelos participantes de forma arbitrária, tendo apenas de corresponder ao n
úmero inscrito na carta, e ao localizado no mapa..

Classificações:

Individuais Femininos

1º - Carla Costa 76M50S

Individuais masculinos:

1º- Daniel Costa 78M0S

2º- Vítor Costa 79M50S

3º- Pedro Bartolomeu 75M10S *

* (penalizado em 30 M)

Equipas:

1º- Samuel Pires / Mário Corvelo 40M30S

2º Pedro Cardoso / Clara Gaspar 71M40S


quarta-feira, 12 de novembro de 2008

Encerramento dos passeios pedestres 2008

Um êxito retumbante

Para trás ficaram dez passeios que, fizeram as delícias de todos quantos tiveram o privilégio de participar, nesta iniciativa de cariz ambiental, que alberga também aspectos históricos, espírito de aventura, e o salutar convívio de braço dado com a natureza.

Daniel Costa

Chegou ao fim, mais uma temporada dos passeios pedestres, organizados pela Sociedade de Exploração Espeleológica “Os Montanheiros”, em colaboração com a Câmara Municipal de Angra do Heroísmo. No corrente ano, realizaram-se uma dezena de caminhadas, com início no mês da revolução dos cravos e terminando no último fim de semana de Outubro. Para trás, ficaram dez passeios memoráveis, onde foi bem evidente a crescente afluência de pedestrianistas a esta iniciativa, o que diz bem da importância do evento, pelos mais variadas aspectos, desde o espírito de aventura que alguns percursos mais arrojados permitem, passando pela componente histórica de outros, até á magnifica flora, com destaque para a vegetação Laurissilva, não esquecendo o negro da rocha basáltica, do vidro basáltico, conhecido por Obsidiana, da pedra Pomes a única que flutua, do verde das nossas pastagens, com os seus vales e ribeiras, das imponentes rochas escarpadas banhadas pelo azul do oceano Atlântico. Como sempre “Os Montanheiros”, preparam e planificam um programa de caminhadas equilibrado, promovendo diversos relevos e vertentes, tendo o cuidado de diversificar os mesmos, não esquecendo no entanto a inclusão da mítica Caldeira da Serra de Santa Bárbara, e aquele que é considerado por muitos, o ex-libris do pedestrianismo, o único e espectacular Morro Assombrado, dois passeios inevitáveis, que são um marco nestas andanças e os mais procurados, tanto pelos veteranos que, nunca se cansam de os visitar e procuram sempre que possível repeti-los, o maior numero de vezes possível, quer pelos novatos que, com o bico doce dos comentários abonatórios, procuram não faltar à chamada. Abril abriu a temporada, com a ida ao Pico da Lagoinha, situado na freguesia da Serreta, passeio que contou com uma grande aderência, bem como condições climatéricas soberbas, proporcionando grande visibilidade, factor determinante neste passeio, em virtude das boas paisagens que o mesmo proporciona. Posteriormente, veio a Terra Brava, um passeio lindíssimo marcado por algum, espírito de aventura, em virtude do seu traçado irregular e bravio, composto de vegetação endémica virgem. O tempo adverso marcou o 3º passeio, obrigando os organizadores a recorrem à Fajã da Serreta, um local diferente, situado no litoral e marcado pela história da fonte da água azeda. Com o quarto veio a imponência e beleza da Rocha do Chambre. Reservando a exploração numero cinco, a mítica Caldeira da Serra de Santa Bárbara, caminhada que fica sempre na memória, devido aos encantos, mistérios e fascínios da elevação mais alta da Ilha. A meia dúzia, conduziu a coluna até ao Pico Agudo e Pico Alto, um passeio que fica registado pela abrangência excepcional da paisagem que os referidos Picos oferecem. Setembro trouxe-nos a Vereda Velha, um trilho utilizado pelos habitantes do lado norte da ilha, para as suas incursões ao Canadão da Caldeira da Serra de Santa Bárbara. Mistérios Negros, foi o itinerário da antepenúltima caminhada, com passagem pelos Domas de lava negra rugosos, resultantes da erupção histórica de 1761. O penúltimo passeio teve como destino, o ex-libris dos passeio pedestres, o “Morro Assombrado”, marcado por labirintos de grandes fendas que rasgam a terra. Terminando a temporada com a deslocação à “Passagem das Bestas”, localidade utilizada durante mais de trezentos anos, nos transporte de lenha em carros de bois, entre a Caldeira Guilherme Moniz e Angra. O habitual convívio de encerramento, teve lugar no Algar de Carvão, mais propriamente junto da casa de apoio, local onde os grelhadores trabalhavam afincadamente, para estancar o apetite, espalhando lenta mas eficazmente, o cheiro das bifanas, do entrecosto e do frango, aguçando o apetite dos caminhantes que, chegavam a conta gotas. Concluída a confecção do repasto, deu-se início então á parte da degustação, através de um menu rico e diversificado. As excelentes condições climatéricas também ajudaram, permitindo que os participantes se sentassem e aconchegassem, estrategicamente em cima das dispersas rochas basálticas que por ali existem, transmitindo através da diversidade de tons das roupas, um bonito colorido perante o verde dominante do mato, fazendo lembrar um presépio antecipado. Claro está que este momento, serviu para a amena cavaqueira, sobre os mais variados domínios, mas sempre com a beleza no nosso interior na ordem do dia. Foi um dia diferente, bem passado encerrando da melhor forma o plano de caminhadas de 2008. Agora que venha rapidamente 2009, um ano que em principio colocará algumas reservas no que ao pedestrianismo diz respeito, em função do novo diploma Regional que cria o Parque Natural da Ilha Terceira. Com efeito, a quando a caminhada ao Pico Agudo e Pico Alto, o presidente da Associação “Os Montanheiros”, surpreendeu os presentes, informando que em 2009 os passeios iriam ser suspensos, porque segundo esclareceu na altura “em consequência do novo diploma Regional que cria o Parque Natural da Ilha Terceira, deverão ser levantadas restrições ao acesso a determinadas áreas reclassificadas ao abrigo da nova legislação. Em face disso, a fim de evitar qualquer tipo de atrito ou atropelos às competências da Comissão de Gestão do futuro Parque, decidiu a associação desde já tornar público que irá suspender a organização dos tradicionais passeios, até que possa ser acordado forma de os retomar, num formato aceite por todos”. Todavia, a situação evolui favoravelmente, o que levou o líder dos “Montanheiros” a informar recentemente, que os passeio serão uma realidade em 2009, embora possivelmente com algumas alterações, entre as quais a redução do numero da caminhadas, passando das actuais duas por mês, para apenas uma. Seja qual for o critério e modelo adoptado, o importante é dar continuidade aos passeios como tudo indica que sim, uma vez que o nosso rico e belo meio ambiente, é cada vez mais respeitado e procurado pelos locais e não só, e se existe forma de os visitar é certamente através do formato adoptado pelos “Montanheiros” entidade que ao longo dos anos tem organizado e realizados estas caminhadas, preparando-as ao mais pequeno pormenor, desde os cuidados a ter com o impacto ambiental até à segurança, porque não faz sentido possuir tamanha riqueza se não se pode desfrutar dela.

quarta-feira, 29 de outubro de 2008

10º PASSEIO PEDESTRE DOS MONTANHEIROS - "PASSAGEM DAS BESTAS - 2008"

Relheiras carregadas de história

O último passeio do ano, levou os pedestrianistas até à “Passagem das Bestas”, um local com mais de trezentos anos de história, devido aos carregamentos de lenha da Caldeira Guilherme Moniz, para abastecer Angra

Daniel Costa

O décimo passeio e último do corrente ano, iniciou-se no caminho entre a Furna da Água e do Cabrito, no antigo caminho denominado “Passagem das Bestas”, onde estão bem vincadas as maiores Relheiras conhecidas nos Açores, algumas das quais ultrapassam os 30 cm de profundidade, consequência da extracção continuada de lenha dessa zona ao longo de mais de trezentos anos, em virtude da passagem de carros de bois que, diariamente faziam o trajecto entre a Caldeira do Guilherme Moniz (chamada antes Conde da Praia) e Angra, uma vasta área aplanada pela lava, resultante dos escoamento do Vulcão que deu origem ao Algar do Carvão, que nivelou esta vasta área, mais tarde coberta de matos baixos e rasteiros de onde se extraiam as imprescindíveis lenhas para abastecer a cidade de Angra do Heroísmo, e seus arredores.
A lenha c
onsumida para os mais variados fins em Angra, vinha toda praticamente da Caldeira Guilherme Moniz. Para se ter uma ideia de tal importância, ao longo dos muitos anos, no último cartel do século XVlll, o Pe. Manuel Luís Maldonado em relação à vida económica de Angra em finais de mil e seiscentos, escrevia no “Fénix Angrense” que os 2.162 fogos, gastando uma carga de lenha por semana, e multiplicando esse numero por 52 semanas, “perfazem 112.424 cargas e vendendo-se cada carga por oitenta reis, preço comum, dá o produto de 8.993$920 reis”.
A título
de curiosidade, é de referir que em pleno século 20, mais propriamente na década de quarenta, aquando da II Guerra Mundial, em virtude do bloqueio imposto no Atlântico pelos submarinos alemães, esta actividade foi novamente retomada.
Serra do Morião e Caldeira Guilherme Moniz

O Maciço da Serra do Morião e da Caldeira do Guilherme Moniz trata-se de “um grande aparelho vulcânico, cuja cratera central corresponde à Caldeira do Guilherme Moniz”, os bordos Oeste e Sul da caldeira são constituídos pela Serra do Morião, cujo ponto mais alto, o Rosto, atinge 632 metros de altitude. Os bordos Norte e Este da Caldeira foram destruídos pelas erupções mais recentes dos aparelhos do complexo Vulcânico do Pico Alto (Terra Brava, Pico do Carvão, etc.).

Percurso

Após a apresentação do passeio por parte dos guias Paulos, o Barcelos e o Mendonça, que para além de tecerem os tópicos do mesmo, não se esqueceram dos habituais apontamentos históricos, sobre a zona a visitar, aspecto deveras importante nestas caminhadas para dar a conhecer e ajudar a perceber, a nossa identidade como ilhéus e compreender a nossa história. Deu-se então início à caminhada que, coincidiu praticamente pela zona da “Passagem das Bestas” onde era bem visível os sulcos feitos pelos carros de bois ao logo dos anos, as famosas “Relheiras”. Deixado para trás esta zona, os pedestrianistas chegaram ao Juncalinho num pasto, dando início à subida do mesmo em coluna, até aos Direitos do Juncalinho, situados no seu alto, de onde se podia observar, o Pico Careca bem como a Serra do Cume. Prosseguindo, o grupo rapidamente alcança a zona dos Terreirinhos, onde se consegue ver a vasta área dos cinco Picos, detendo-se num pasto para reagrupar e tirar a foto de família, tendo à frente a imensidão da Caldeira Guilherme Moniz, e como dia estava favorável, era possível enxergar com grande nitidez, o Maciço da Serra de Santa Bárbara.
Posteriormente, e já no caminho d
e regresso às viaturas, os caminhantes desceram o Pico Espigão em direcção novamente ao caminho entre as furnas da Água e do Cabrito, onde se encontravam imobilizadas as viaturas.

sexta-feira, 10 de outubro de 2008

9º Passeio pedestre dos Montanheiros – Morro Assombrado (2008)

Assombro espectacular

Da rica e intacta vegetação endémica selvagem, passando por labirintos de grandes fendas, que rasgam a terra.

Daniel Costa

O nono passeio pedestre e penúltimo da temporada, teve como destino o “Morro Assombrado” considerado por muitos o ex-líbris dos passeios pedestres, muitíssimo aguardado pelos habituais participantes que logo após a primeira incursão, ficaram apaixonados por tamanha beleza fora do comum, de contornos únicos nestas paragens, sendo por isso com grande emotividade que lá voltam, e com grande expectativa por parte dos caloiros, em função dos relatos abonatórios dos mais veteranos. Todavia, a ida ao tão afamado Morro, chegou a estar ameaçada, em função das condições climatéricas adversas, que se registavam no ponto de encontro decisivo, localizado no Pico da Bagacina. Com efeito, o céu cinzento a par de alguma neblina e de algumas quedas de água, a espaços mais violenta intercalada com algumas pausas que se registava no local, levou os promotores da iniciativa, a optar por um passeio alternativo (Baías da Agualva), salvaguardando no entanto a primeira hipótese, caso as condições climatéricas o possibilitassem, a quando da sua aproximação pela estrada que vai dar aos Biscoitos. Em plena descida e voltando o olhar para a direita, logo se constatou pelo céu azul que deixava penetrar o astro Sol, iluminando toda a área do Biscoito Rachado, que estavam reunidas as condições para finalmente e felizmente, o grupo aceder ao tão almejado Morro. No briefing que antecede as caminhadas, para além das habituais recomendações, os responsáveis chamaram a atenção para a espectacularidade do passeio, mas alertaram para a dificuldade do mesmo, colocando particular ênfase, na questão da segurança, alertando para o facto dos amantes da fotografia, as tirarem imóveis, e não em andamento, em virtude do piso irregular, onde as fendas em grande parte do percurso abundam. Posto isto, os participantes passaram uma última vistoria ao seu equipamento, acomodaram as mochilas e ala arriba por um pasto verdíssimo, até se deter no seu cimo, para posteriormente entrar no Trilho das Fendas o início do “Morro Assombrado”. O “Morro Assombrado”, situa-se na Serra do Labaçal, na freguesia das Quatro Ribeiras, local também conhecido por Serra com o nome da referida freguesia, em pleno Biscoito Rachado. Esta é uma zona conhecida pelo pé humano mas não pela sua mão, em virtude da irregularidade do seu traçado. Em 1843 o padre Jerónimo Emiliano de Andrade descrevia os matos da Terceira como (...) Em muitos lugares da Ilha, os matos são rotos e cheios de algares profundíssimos, cujas bocas muitas vezes estão escondidas pelos arbustos, que os cruzam e cobrem de verdura. É necessário que os homens que os pretendem penetrar os vão sondando atentamente para não serem precipitados em abismos...). Segundo José Maria, exímio explorador dos “Montanheiros” com largos anos de incursões e investigações aos matos da Terceira, (...) Os Algares, por ele citados de “profundíssimos”, não passam de grandes fendas, que rasgam a terra, algumas com mais de cem metros de comprimentos e que oscilam entre os cinco e trinta metros de altura, muitas delas ultrapassando os dois metros de largura, o que por vezes provoca um confuso labirinto de fendas, como é o caso do selvagem mas espectacular “Morro Assombrado”(...). Por este facto, esta área embora conhecida, não era utilizada pelo homem, na criação de cabras e retirada de madeira, o que lhe possibilita, encontrar-se no seu mais puro estado selvagem, onde se pode encontrar uma rica vegetação Laurissilva. O nome “Morro Assombrado” foi dado pelosMontanheiros”, pois a quando das suas expedições a este lugar, e como as mesmas se realizavam mais no Inverno, este local pelo seu relevo medonho e confuso, à densa floresta, aos barbudos nevoeiros e aos ventos que sopravam forte por cima dos seus labirintos, criava uma atmosfera em que a designação assombrado assentava que nem uma luva, daí ter ficado baptizado de “Morro Assombrado”. A primeira parte do deslocamento, desenrolou-se por entre vegetação de média altura, maioritariamente composta por cedro, contornando o bordo do Biscoito da Ferraria de donde se abriam algumas janelas onde era possível vislumbrar toda esta bela e rica área, até à imponente Rocha do Chambre, com a Serra de Santa Bárbara ao fundo. Seguidamente, a coluna encetou uma descida a pique, com algum grau de dificuldade, onde todos os cuidados eram poucos, para evitar alguma situação desagradável. Uma vez concluída a descida, entrou-se num local de vegetação endémica, alta e cerrada, prosseguindo a marcha por entre diversas fendas de variadas comprimentos e larguras, até ao Obelisco, uma rocha isolada em forma de aguilhão na entrada do Morro, que antecedeu a entrada no labirinto, onde se situa a passagem do Morro de baixo para o Morro de cima, labirinto esse que é percorrido em grande parte entre fendas altas, com a rocha basáltica revestida de musgos de várias tonalidades, de uma beleza rara. Prosseguindo, o grupo fez a aproximação às Torres de Pedra, duas pedras que se erguem paralelamente por entre a vegetação, outro dos pontos altos do passeio, que antecedeu a passagem por entre a Rocha Fria, também conhecida por Arca Frigorifica, nome dado em função do esfriamento da zona, continuando depois pela grota que se situa entre a Serra do Labaçal e o Biscoito da Ferraria, um local onde a Roca-de-Velha emerge teimosamente por entre a vegetação endémica.Caminhava-se a passos largos para o final do passeio, antes ainda a passagem pela Cova das Pardelhas, ou Cova das Criptomérias, antes da subida final, que levou os caminhantes até ao pasto, que fez a ligação à canada em direcção às viaturas.

quinta-feira, 2 de outubro de 2008

8º Passeio Pedestre dos Montanheiros – Mistérios Negros (2008)

Por trilhos de lavas rugosas

Da imponência do Cedro-do-Mato, que impressiona pela sua espessura, passando pelas ricas e vistosas Turfeiras, até aos Domas de lavas viscosas, densas e rugosas, resultantes da primeira erupção histórica de 1761

Daniel Costa

Com a chegada do mês de Setembro, chega igualmente o Outono, período em que as condições climatéricas se tornam mais instáveis, sinal que entramos na recta final de mais um ano, e consequentemente dos passeios pedestres organizado pela Associação Espeleológica “Os Montanheiros”.
Assim, após a realização de mais esta caminhada, a 8ª do corrente ano, ficam apenas a faltar duas para o términos da campanha 2008, ficando-se na expectativa, a aguardar aquilo que o novo ano trará no que diz respeito a esta matéria.
Este octo passeio, poderá dividir-se em dois digamos assim, uma vez que a primeira parte do mesmo foi realizado numa zona selvagem, de vegetação endémica, onde o Cedro
-do-Mato impressionava pela sua imponência e espessura, numa área admirável, uma das mais ricas da Ilha e espectaculares no que ao Cedro-do-Mato diz respeito. No chão e em toda a extensão do percurso, estendia-se aos nossos pés, uma autentica passadeira de Turfeira riquíssima, que se propagava aos galhos dos Cedros, cobertos também de musgos e pequenos fetos, que transmitiu uma tranquilidade e sentido de liberdade único, que levou os participantes a cruzar a área dos Mistérios Negros, local anteriormente chamado de Vale Fundo, que com a primeira erupção histórica de 1761, desapareceu, dando lugar aos domas de lavas viscosas, densas e rugosas, rochas pouco consistentes, empurradas de baixo para cima, que aí se formaram.

As erupções

Rezam as crónicas da altura, que a 14 de Abril de 1761, a terra começou a tremer com insistência, algumas vezes de forma violenta, era o sinal do que depois viria a suceder, uma primeira erupção vulcânica, ocorrida no dia 17 que daria origem aos seis domas que constituem os Mistérios Negros, ocorrida entre os Picos Gordos e a Serra de Santa Bárbara.

Quatro dias depois, nova erupção sucedeu de contornos mais fortes, dando então origem ao Pico do Fogo, Pico Vermelho e Pico das Caldeirinhas, desenvolvendo-se também segundo os relatos da época, em três correntes de lava, a primeira rumo a oriente, com paragem num local designado de Chama, a segunda dirigiu-se para Ocidente, lançando uma propagação para Norte até ao Tamujal, e a terceira a superior, deslocou-se para Norte, dividindo-se posteriormente em duas, uma das quais estagnou no Vimeiro e a outra foi dar ao Juncalinho, chegando mesmo a invadir os Biscoitos e a destruir algumas casas.

O negro dos Domas e o verde da vegetação

Depois de se transpor esta zona rochosa onde todo o cuidado foi pouco para se a ultrapassar, obrigando a coluna a uma efectuar uma marcha lenta, no sentido de transpor os obstáculos sem danos, uma nova porta se abriu dando entrada a uma zona de vegetação endémica rica em Cedro-do-Mato, com alguns azevinhos à mistura, como muita Turfeira à mistura, o que dava uma sensação única á medida que se avançava, e que levou os participantes a uma área idêntica a um desfiladeiro, passando por entre dois Domas.
Caminhava-se a passos
largos para o final desta parte selvagem do passeio, quando se entrou num local aberto, ladeada por muitos fetos já secos situação própria para a altura do ano, de onde era possível contemplar o Pico Gaspar, também conhecido por Cesto Redondo, ou Pico das Cracas, sobretudo pelos pescadores de São Mateus, em virtude de ser um ponto de referência visto do mar, antes de se entrar numa zona de altas Criptomérias que no seu final, fazia a ligação com o passeio turístico.
Já em pleno percurso turístico devidamente sinalizado, a progressão deu-se por uma Canada espaçosa, um percurso sempre em sentido ascendente de inclinação acentuada, até ao alto do Pico da Cancela, de onde era possível desfrutar de uma paisagem magnífica, oportunidade de imediato aproveitada pelos participantes amantes da fotografia, colocarem o dedo no
gatilho.

Após esta pequena pausa, entrou-se por entre Criptomérias, que levou os caminhantes, até um
marco onde se procedeu à pausa para o almoço, acontecimento por razões óbvias sempre bem-vindo.
Retomada a marcha, a mesma desenrolou-se novamente por entre Criptomérias, entrando-se posteri
ormente numa zona mais aberta que levou os amantes da natureza à Canada dos Mistérios Negros, que após percorridos alguns metros e virando à direita, penetrou-se novamente numa área de vegetação endémica fechada, aparecendo a espaços algumas clareiras nos bordos do negro das pedras dos Mistérios Negros, entrando-se posteriormente numa zona mista, que fazia numa primeira fase, a fronteira entre a vegetação endémica e a vegetação exótica, que antecedeu a chegada ao pasto de onde se deu o ponto de partida, para mais este evento de cariz ambiental e histórico.

quarta-feira, 17 de setembro de 2008

7º Passeio Pedestre dos Montanheiros (Vereda Velha 2008)

Quando a bruma desce à serra

A Vereda Velha, é um trilho situado no lado Norte da Serra de Santa Bárbara, que era utilizado pelos habitantes dessa zona, para as incursões à Cadeira para os mais diversos fins.
Após a interrupção habitual de Verão, foram retomados os passeios pedestres sob a responsabilidade dos “Montanheiros”, na circunstância, o sétimo da temporada. Escusado será dizer que o referido passeio já há muito era esperado pelos fiéis seguidores, número que felizmente tem vindo a aumentar, o que diz bem da importância, do apego e do respeito que os admiradores do meio ambiente têm pela sua riquíssima vegetação endémica. Após as primeiras chuvadas de Setembro, a meteorologia previa alguma instabilidade, tal como neblina e alguns aguaceiros, o que facto de veio a confirmar, mas nada que colocasse em causa a marcha. Antes pelo contrário. A névoa até tem o seu encanto e dá-nos outra visão do mato, quiçá, mais sinistra, imprevisível, com um leve cheirinho a aventura, e a precipitação que banhou os caminhantes por poucos minutos até foi bem-vinda para refrescar o corpo. Este passeio, denominado Vereda Velha, levou os participantes até ao lado norte da ilha Terceira, mais propriamente à freguesia dos Altares, desenrolando-se na costa norte da Serra de Santa Bárbara. O lado norte da Serra de Santa Bárbara é formado por três aparelhos vulcânicos, encontrando-se um deles na direcção norte/sul (área onde se realizou o passeio) que, por sua vez, é formado por seis aparelhos vulcânicos, em que o principal é o Pico Rachado (com 829 metros de altura), no qual o escoamento de lava se estende um pouco para além dos 2,5Km. Tratando-se de traquitos com fenocristais de feldspato alcalino e piroxena sódica. Nos declives externos, e no contorno da Serra de Santa Bárbara, existem escoamentos de lavas basálticas, quase sempre tapadas por materiais piroclásticos mais modernos. Este passeio teve o seu arranque na Canada do Pico Rachado e, após alguns metros, iniciou-se o deslocamento por um pasto situado a sul do Pico Rachado, com um elevado grau de inclinação, a par de algumas zonas mais encharcadas, habilmente contornadas pelos mais experientes e, por vezes, pisadas pelos novatos. Subida que deixou ofegante toda a coluna quando alcançou o seu cimo. Aí, procedeu-se a uma pausa para reagrupar e para os guias darem as imprescindíveis indicações. Com o grupo mais descontraído, penetrou-se então na Vereda Velha, trilho situado entre o Pico Rachado e o Pico Redondo (847 metros de altitude), contornando este, vereda utilizada frequentemente há anos atrás pelos habitantes do lado norte da ilha, principalmente das freguesias dos Altares e Raminho, nas suas incursões à Caldeira da Serra para os mais diversos fins, nomeadamente a recolha de lenha. Foi cerca de uma hora e quarenta minutos sempre a subir, por um trilho bem definido, por vezes mais alargado outras vezes muito estreito, por entre cerrada vegetação endémica, com piso escorregadio fruto de algum encharcamento e da forte humidade que se fazia sentir. Depois de atingir uma pequena clareira, denominada de Curral Pequeno, o grupo prosseguiu a sua marcha por entre a vegetação, a espaços mais aberta, deixando penetrar de uma forma suave a bruma que se deslocava lentamente, fazendo os caminheiros parecerem autênticos exploradores acabados de chegar a uma ilha estranha em busca do desconhecido. Poucos minutos depois, a cabeça da coluna atingiu uma clareira de maior dimensão, chamada Curral Velho, detendo-se aí até o grupo reagrupar, momento em que a precipitação se fez notar com maior intensidade, obrigando os mais precavidos a vestir os impermeáveis para maior conforto, enquanto os mais desprevenidos e audazes permaneciam impávidos e serenos, sentindo o amolecer das t-shirts e dos pólos, fruto da água fresca que caía escorrendo alguma pela pele nua dos braços. A partir desta área, o percurso dividia-se em dois, para a direita subia-se até à berma da Caldeira, o percurso que foi efectuado, o outro seguia em frente sempre pela encosta norte da Serra, denominado Atalho dos Burros. O único objectivo da utilização do referido atalho era a apanha de lenha, muito abundante naquela área, e também a procura de urze, para se fazerem tinchões, para suporte das vinhas, havendo mesmo quem retira-se daí o seu ganha-pão, até há sensivelmente 50 ou 60 anos atrás. Existiam, porém, outros trilhos de mais fácil acesso à Caldeira, mais propriamente à vasta zona do chamado Canadão, e eram usados para a criação de leitões, que aí permaneciam até à altura da matança. Até há cerca de 20 anos atrás, ainda era possível vislumbrar leitões e cabras selvagens no Canadão da Caldeira da Serra de Santa Bárbara. Uma vez alcançado o bordo da serra, procedeu-se então à descida a pique, em que o médio grau de dificuldade da descida provocou alguns deslizamentos humanos, como sempre e felizmente sem consequências, a não ser alguma nódoa negra que ficou para a posterioridade, saindo apenas em alguns casos a roupa mais mal tratada, leia-se enlameada. No Canadão, deu-se então a pausa para o almoço, acontecimento que foi antecipado, uma vez que as condições climatéricas, devido à nebulosidade, não eram favoráveis à deslocação à Lomba Careca, local inicialmente previsto para esse efeito. Depois desta pausa, sempre bem-vinda para trincar alguma coisa, a coluna reiniciou o seu deslocamento em plena Caldeira, em direcção às Caldeirinhas, local também conhecido por Clareira da Grota ou Clareira da Lomba, entrando-se posteriormente no Portal das Lombas, onde existe um pequeno riacho que liga a Lomba Careca. Na fase terminal do passeio, os participantes dirigiram-se então à Vereda dos Aguilhões, trilho que faz a ligação do interior da Caldeira, junto da Lomba Careca, para o exterior, subindo e descendo o Pico do Aguilhão (que com os seus 927 metros é o mais alto da ilha, estamos a falar de Picos não da elevação mais alta que é a serra com 1021 metros) em direcção ao Pasto da Língua, onde, um pouco mesmo ali ao lado, se encontra a Nascente da Ginjeira. Descendo o pasto, chegou-se finalmente a uma canada que levou os participantes até às viaturas, finalizando mais um passeio inesquecível.