quarta-feira, 9 de julho de 2008

6º PASSEIO PEDESTRE DOS MONTANHEIROS PICO AGUDO / PICO ALTO (2008)

Panorâmica única

Este passeio, ficou marcado pela abrangência e excepcional paisagem que estes picos oferecem, mas sobretudo pela informação, que apanhou todos de surpresa, da suspensão dos passeios pedestres dos Montanheiros já para o novo ano, em virtude da publicação para breve do diploma Regional, que cria o parque natural da Ilha Terceira, que deverá condicionar este e outros tipos de actividades lúdicas no interior das zonas classificadas, mas que se espera, não contribua para o fim destas iniciativas em definitivo.

O sexto passeio pedestre organizado pelos Montanheiros, em parceria com a Câmara Municipal de Angra do Heroísmo, levou desta feita os fieis amantes destas coisas da natureza, ao Pico Agudo, situado em plena Terra Brava, e ao Pico Alto.
Este era aliás o sétimo passeio agendado no calendário do ano anterior, mas que devido ás condições climatéricas adversas, acabou por ser substituído por um alternativo, (Caldeira das Lajes) embora os caminhantes ainda se tenham aventurado nele alguns metros, antes de efectuar inversão de marcha.

Pico Agudo

Situado no lado poente do caminho das Lagoinhas, em plena Terra Brava, o Pico Agudo com os seus 789m de altitude, embora longe de ser o mais alto da ilha, é aquele que devido ao seu posicionamento geográfico, oferece uma maior e melhor panorâmica da ilha, superiorizando-se mesmo neste contexto, á maior elevação da Terceira, a Serra de Santa Bárbara.
O Pico Agudo, emerge na vasta área da Terra Brava, numa das zonas mais primitivas da ilha, de difícil orientação, apresentando um relevo bravio, anárquico, que devido á irregularidade do seu terreno, ao mato cerrado e aos densos nevoeiros, tem conseguido escapar ás beliscaduras humanas.
A Terra Brava, é um local de vegetação endémica riquíssima, que brota do terreno vegetal que a sustenta, podendo lá se encontrar, entre outros, Cedro-do Mato, Louro, Urze, Tamujo, Sanguinho, Pau Branco, Azevinho, Alfacinhas e outras herbáceas endémicas, vários musgos de diferentes tamanhos e tonalidades, bem como diversos fetos e alguns exemplares de uma trepadeira rara, denominada smilax canariensis.
A Terra Brava, é igualmente
um grande reservatório de água, devido ao acumular de água nas suas abundantes turfeiras, e foi uma zona também utilizada pelos cabreiros, que devido á distância e dificuldades do terreno, pernoitavam no mato, dormindo em abrigos construídos rudemente com as próprias mãos.
Para além disso, era usual em pequ
enas clareiras bem visíveis no trajecto que levou a coluna até ao Pico Agudo, encontrar-se covas de carvão, onde se queimava a madeira até se transformar em carvão, e que posteriormente era abafada, e transportada para ser usada para os mais diversos fins: nas tendas dos ferreiros, nos velhos ferros de engomar, etc.

Pico Alto

O Pico Alto situado na maior freguesia da ilha Terceira a Agualva, é um dos quatro Picos que se situam acima dos 800m de altitude, ocupando curiosamente com os seus 808m, a quarta posição neste ranking, atrás do Pico do Aguilhão, (o mais alto da ilha) Pico Redondo e Pico Rachado, respectivamente.
O Pico Alto, é o ponto mais alt
o do maciço a que deu o nome, um dos quatro aparelhos vulcânicos principais que formam a ilha. O Maciço do Pico Alto, corresponde a um grande complexo vulcânico sobretudo traquítico, com vários pontos eruptivos, que provavelmente estará apoiado numa antiga caldeira, que terá sido aniquilada e preenchida por lavas de erupções mais recentes.
Os centros eruptivos mais visíveis, foram o Pico Alto, Pico das Pardelhas e Biscoito Rachado, cujos derrames correram no interior formando o Biscoito da Ferraria e até à costa norte da ilha.

O adeus ao Pico Agudo e Pico Alto?

Aquele que eventualmente terá sido o último passeio, pelo menos nestes moldes, ao Pico Agudo e Pico Alto, conforme foi informado pelo guia e presidente da Associação Os Montanheiros, Paulo Barcelos, apanhou todos de surpresa, causando grande estupefacção geral, acabando por ser mesmo a grande nota do dia.
Segundo o líder dos Montanheiros, a
pós várias décadas a organizar expedições ao interior da ilha, em locais desconhecidos do grande público, mais inacessíveis, mas também mais sensíveis, será cumprida a calendarização prevista para este ano de acordo com o planeado. No entanto, em consequência do novo diploma Regional que cria o Parque Natural da Ilha Terceira, deverão ser levantadas restrições ao acesso a determinadas áreas reclassificadas ao abrigo da nova legislação. Em face disso, a fim de evitar qualquer tipo de atrito ou atropelos às competências da Comissão de Gestão do futuro Parque, decidiu a associação desde já tornar público que irá suspender a organização dos tradicionais passeios, até que possa ser acordado forma de os retomar, num formato aceite por todos.
Paulo Barcelos esclareceu que, felizmente para efeitos de Conservação da Natureza, a ilha Terceira possui das maiores e melhores florestas de vegetação natural dos Açores, visitada durante muitos anos pelos Montanheiros e alguns privilegiados que os acompanhavam nos seus passeios, mas que agora vamos entrar num nova etapa, para o qual a associação estará sempre disponível a colaborar com as entidades competentes.
Numa altura em que ainda estão a ser revistas as últimas alterações à proposta inicial do diploma, desconhece-se ainda o que irá ser impo
sto no futuro. Espera-se e deseja-se no entanto, que embora com novas regulamentações, a Comissão de Gestão do novo parque a criar, seja sensível á necessidade de manter Percursos Pedestres no interior dessas áreas, para fins recreativos, científicos e para a própria gestão do parque.

O deslocamento

O início da caminhada, deu-se na zona da Lagoa Seca, uma primeira fase de subida pouco acentuada, primeiramente por um local de vegetação mais rasteira, mas que rapidamente deu lugar a uma vegetação endémica típica da Terra Brava mais fechada, passando-se aqui-e-ali por pequenas clareiras, onde como já foi mencionado, se procedia à queima de madeira para posteriormente ser transformada em carvão.
Andando às voltas, porque a irregularidade do terreno assim o determinava, os caminhantes rapidamente encetaram a subida final ao Pico Agudo, agora mais acentuada e exigente, alcançando por fim o seu to
po, onde a fabulosa visibilidade, ultrapassava largamente as melhores expectativas.
De facto, é impressio
nante a visão que nos é oferecida, desde a majestosa Serra de Santa Bárbara, desta feita mais envergonhada devido ás nuvens que a tapavam, toda a vasta área do Biscoito da Ferraria, o Morro Assombrado, Pico do Junco, Biscoito Rachado, Pico da Salsa, Serra do Cume e Morião, entre outros, uma infindável panorâmica, de facto única.
Sob a ameaça de um chuvisco miudinho, que se lembrou de aparecer, procedeu-se então á descida do Pico Agudo, em direcção ao Pico Alto, o segundo objectivo do dia.
Pelo meio uma paragem, para o almoço numa clareira denominada de Buraco,
antes da subida ao marco do Pico Alto, de onde a paisagem a desfrutar é igualmente digna de registo.
Tirada a foto de grupo, encetou-se o caminho de regresso, descendo em direcção ao Carreiro, o que resta do antigo Caminho do João Coelho, aberto a mando do próprio, um indivíduo abastado da freguesia da Agualva, que o mandou abrir para fazer a ligação entre esta freguesia e o Cabrito, com paragem final junto das viaturas.
À semelhança dos anos anteriores, os passeios pedestres sofrem uma pequena interrupção, voltando a 7 de Setembro.

quarta-feira, 11 de junho de 2008

5º PASSEIO PEDESTRE DOS MONTANHEIROS SERRA DE SANTA BÁRBARA (2008)

Um manto de riqueza endémica


Os fascínios, mistérios e encantos da elevação mais alta da Ilha, a sua arrebatadora caldeira, tão rica e abundante em espécies endémicas, as suas lagoas e vales e a sua importância para a investigação cientifica.

A Serra de Santa Bárbara, é ponto mais elevado da Terceira, e um dos 4 aparelhos vulcânicos principais que constituem a Ilha.
O aparelho vulcânico da Serra de Santa Bárbara, tem aproximadamente cerca de 8 a 9 Km de diâmetro e uma altitude de 1021 m, constituído fundamentalmente por arremesso de pedra-pomes com alternações de lavas andesíticas na base e traquíticas na parte superior.
Na parte superior da Serra abre-se uma caldeira cujo maior diâmetro é na ordem dos 2 a 2,5 Km, que para ser ter uma ideia, é maior do que o Monte Brasil e tem a profundidade actual de 150 m.

A Caldeira, é em parte preenchida por um amontoado de lavas traquíticas, por um relevo formado por alguns vales e com uma diversidade endémica riq
uíssima, de onde se destaca a abundante floresta Laurisilva e o raríssimo feno festuca jubatae, desaparecido da Europa.

A Viagem

Uma vez reunido todo o grupo na zona das antenas, no briefing que antecede todas as caminhadas, o guia Paulo Mendonça, deu a conhecer de uma forma resumida mas explícita, o tipo de percurso que se iria efectuar e cuidados a ter com a segurança e com o meio ambiente, uma vez que a caminhada mais ou menos longa, se iria desenrolar por uma zona muito sensível, começando e terminando por uma área húmida designada de “lava pés”.
A aragem que soprava do quadrante Sul, ameaçava rapidamente colocar em “pele de galinha”, os mais afoitos e destemidos, que se aprese
ntaram com vestimentas mais leves, mas como o mato tem as suas vicissitudes, uns metros mais á frente, quando se iniciou a descida para a primeira zona húmida, o calor fazia-se sentir de uma forma brusca e inicialmente reconfortante, começando os mais precavidos e cautelosos a aliviar o seu vestuário.
Em plena área húmida, e reagrupado o grupo, iniciou-se então o deslocamento, de uma forma compacta, contornando o grosso do espaço húmido, efectuando uma espécie de meia lua, até se chegar finalmente a um terreno mais seco e de vegetação mais alta, composta maiorit
ariamente por cedro-do-mato, antes de se entrar no Trilho dos Miradouros, de onde através de algumas janelas do alto da rocha basáltica talhada, era possível visualizar uma parte da majestosa Caldeira da Serra, visualizando a cratera antiga o enchimento de uma segunda erupção, e toda a sua beleza envolvente, não passando despercebida bem lá no fundo, a bonita Lagoa Funda.
Continuando a percorrer o referido trilho, agora com uma vegetação mais alta, os caminhantes aproximaram-se rapidamente da descida do Portal, aquela que os levariam até à Caldeira, a um sitio denominado Portal dos Ventos, onde se pode constatar, o porquê desse nome, fazendo-se então uma pausa para reagrupar, oportunidade para se trincar alguma coisa e refrescar de u
ma forma mais pausada e abundante a goela, porque o calor assim o obrigava.
Reiniciada a caminhada e passados alguns metros, os exploradores tiveram então oportunidade de ver todo o amplo e belo Vale dos Leões, nome que não deixa de ser estranho e como tal desperta a curiosidade, uma vez que o majestoso rei dos animais, não consta d
estas paragens, então de onde veio tal nome? a resposta está nos abundantes tufos arredondados dispersos pelo Vale, que se assemelham ás jubas do imponente felino.
Um pouco mais á frente, chegou-se então à Lagoa Negra, ou o que resta dela, já que a água não é visível, restando apenas a húmidade e a erva deitada di
sciplinadamente, como que cuidadosamente penteada.
Foi o local bem escolhido para o almoço, devido à amplitude do Vale, onde era possível observar cá de baixo, a imponência da rocha negra que circundava todo o vale, uma imagem única de uma be
leza impar.
Com a barriguinha rec
onfortada, as energias acumuladas desapareceram num ápice, após a subida íngreme e longa que levou a coluna até ao Canadão, de onde foi tirada a foto do grupo.

Da criação de porcos ao estudo cientifico

Nesta parte da Serra chamada Canadão, era usual até pelo menos ao início dos anos oitenta, a criação de porcos, que aí eram deixados, alimentando-se da erva e da água abundante.
Esta zona do Canadão, é ig
ualmente riquíssima de um feno chamando cientificamente de festuca jubatae, outroa abundante na Europa, mas que com a era glaciar, desapareceu por completo, encontrando-se apenas nos Açores, daí que seja frequente a vinda de estudantes universitário europeus, na área da Biologia a esta local, para estudar este tipo de feno único no Hemisfério Norte.
Posteriormente, deu-se a aproximação à nascente da Caldeirinha, on
de a água jorra fresca e cristalina, e que a alguns metros dali, era visível as marcas deixadas pela maquinaria, na tentativa que não resultou, de se retirar água para abastecer algumas freguesias, carenciadas deste precioso líquido.
Subindo mais um pouco, e passando novamente por uma área mais húmida, ergue-se uma pequena clareira, surgindo a um canto a Lagoa do
Pinheiro também conhecida por Lagoa Alta, e
m virtude de ser a mais elevada da Ilha Terceira, encontrando-se entre os 900 e 1000 m de altitude.
Caminhava-se para o fin
al do passeio, com passagem pela Vereda Alta no bordo cimeiro da Serra, de onde era possível ver outra área da Caldeira, em que se destacava a Lagoa Negra, onde os caminhantes haviam almoçado.
Com as antenas bem á v
ista, numa ápice, a coluna as alcançou, terminando da melhor forma um passeio, que certamente perdurará na memória, de todos quantos tiveram o grato privilégio de participar.


sexta-feira, 23 de maio de 2008

4º PASSEIO PEDESTRE DOS MONTANHEIROS ROCHA DO CHAMBRE (2008)

Os encantos do Chambre

Do Pico do Fogo, o centro da erupção vulcânica de 21 de Abril de 1761, passando pelo negro do alto da Rocha do Chambre, donde se tem uma vista privilegiada desta parte interior da Ilha, até à Cova do Narião, onde se forma um lindíssimo lago, aquando das primeiras chuvas.

Após a intempérie que se abateu sobre a ilha por altura da caminhada anterior, obrigando que se efectuasse um percurso alternativo, o bom tempo, voltou a acompanhar as incursões dos caminhantes pelo belo interior terceirense.
E nem o
tradicional Domingo do Bodo, a par de outras iniciativas, inviabilizaram a presença da centena de participantes, o que diz bem do interesse que esta iniciativa de cariz ambiental e de lazer, tem despertado.
Desta feita
, o percurso escolhido foi a Rocha do Chambre, um itinerário com uma extensão entre os oito e nove quilómetros, de fácil deslocamento, onde para além do encanto da dita Rocha, proporciona aos participantes uma paisagem muito rica e diversificada.

A erupção de 1761

Após o briefing de apresentação do percurso, iniciou-se então o deslocamento pela zona da Malha Grande, até ao que resta do Pico do Fogo, em função da extracção de bagacina a que foi sujeito durante algum tempo, e do aproveitamento que daí adveio para a prática de desportos motorizados. O sitio escolhido para o tradicional retrato de grupo.
O Pico do Fogo, é o loc
al onde se deu a segunda erupção de 1761, quatro dias depois da primeira, que aconteceu na zona dos Mistérios Negros, entre o Pico Gordo e a Serra de Santa Bárbara.
A segunda erupção, deu então origem ao Pico do Fogo, Pico Vermelho e Pico das
Caldeirinhas, desenvolvendo-se também segundo os relatos da época, em três correntes de lava, a primeira rumo a oriente, com paragem num local designado de Chama, a segunda dirigiu-se para Ocidente, lançando uma propagação para Norte até ao Tamujal, e a terceira a superior, deslocou-se para Norte, dividindo-se posteriormente em duas, uma das quais estagnou no Vimeiro e a outra foi dar ao Juncalinho, chegando mesmo a invadir os Biscoitos e a destruir algumas casas.
Terminada a sessão fotográfica, o grupo pôs-se em movimento por um trilho largo ladeado
por extensa rapa rasteira, penetrando depois num pasto, que foi dar a uma canada ampla e bem definida, antes de se deter posteriormente numa viragem à esquerda para reagrupar, para iniciar então a longa subida até á criação do Chambre e ao marco geodésico, o ponto mais alto da Rocha do Chambre, que dá pelo nome de Juncal.
Aí claro está, foi uma paragem obrigatória para se poder assimilar, com todo o cuidado toda a excepcion
al panorâmica que o Chambre oferece, devidamente documentada para mais tarde recordar.

Paisagem encantadora

Do seu alto, pode-se ver um riquíssimo património natural, desde as áreas protegidas da Serra de Santa Bárbara, e do Biscoito da Ferraria, passando pela Serra do Labaçal onde está inserido o belo Morro Assombrado, o Biscoito Rachado e os Picos Agudo, Alto, do Tamujo das Pardelas, a Terra Brava, e em dias de boa visibilidade, também é possível visualizar a Ilha Graciosa.
Com a alma cheia e a vista lavada de tamanha beleza, o grupo fez-se novamente á
vida, pelo pasto passando por uma descida quase a pique, antes de se deter para o merecido almoço, tendo como pano de fundo principalmente, a imponente Rocha do Chambre e o vasto Biscoito da Ferraria, erguendo-se mais à frente, a Serra do Labaçal.
Seguidamente, a coluna encetou de novo a caminhada, ao long
o da berma do Chambre, onde através de algumas janelas, era possível ver uma vez mais, o Biscoito da Ferraria e a Rocha, por entre criptomérias altas que davam uma sombra reconfortante e nos protegiam do Sol abafadiço.
Prosseguindo pelo caminho do Narião, até à cova com o mesmo nome, um local lindíssimo e refrescante, que por altura das primeiras
chuvas, forma um pequeno Lago aos pés das árvores.
Na recta final do passeio, e antes de entrar no bordo d
o derrame de 1761, que levou os participantes até à viaturas, por entre um cascalho irregular, que obrigava a alguns cuidados a ter, principalmente com as entorses, foi possível enxergar em plena encosta da Serra de Santa Bárbara, reflectindo o brilho intenso do Sol, o que resta da carcaça, do Avião da Força Aérea que aí caiu.


sexta-feira, 16 de maio de 2008

3º PASSEIO PEDESTRE DOS MONTANHEIROS FAJÃ DA SERRETA (2008)






Da imponente ponta do Queimado até á Fajã





Contornar a ponta do Queimado, visualizando do alto da sua rocha basáltica talhada a prumo, as suas baias, por entre antigas curraletas de vinha, até á Fajã, onde outrora, existia a famosa fonte da água azeda







Com o percurso inicialmente traçado (Serra de Sta. Bárbara) por razões óbvias fora do baralho, a opção recaiu pela Fajã da Serreta, em virtude de ser o local em principio com melhores condições climatéricas.
A caravana seguiu rumo ao Pico da Bagacina, onde apesar das condições adversas, com a precipitação a cair a toque do vento, que soprava de sueste, era possível vislumbrar a muito custo por entre o cerrado nevoeiro, barbudo, como lhe chamam as gentes do mato, algumas viaturas, que indiferentes à intempérie, aguardavam pacientemente, pela caravana que havia partido de Angra.

Fazendo-se à estrada, a caravana dirigiu-se até á Mata da Serreta onde se constatou que o tempo realmente naquela zona à excepção do vento forte, reunia as condições necessárias para mais esta jornada de cariz ambiental.

A Serreta, é a freguesia da Ilha Terceira, que se situa a maior altitude do nível do mar, e devido á pequena Serra que lhe fica sobranceira, é uma das mais húmidas, onde
se acumulam espessos nevoeiros.

A Lenda

A origem do culto do povo a Nossa Senhora dos Milagres, está ligado a uma lenda, que refere que em finais do século XVI, um velho padre descontente com procedimentos da sociedade humana, ali se isolou, junto da rocha, para dirigir as suas preces a Deus.
Ali ergueu com as próprias mãos uma pequena capelinha, colocando aí a imagem da virgem que o acompanhava, em agradecimento “do milagre de o defender do perigo”.
Em pouco tempo, ficaram conhecidas em toda a ilha, as virtudes do padre, começando então a afluir o povo, não só por razões religiosas, como também por admirarem o dom do referido sacerdote.
Dep
ois da sua morte, outra se ergueu em local diferente, mas por não reunir as condições mínimas foi encerrada, e a imagem foi deslocada para a igreja de São Jorge das Doze Ribeiras, onde aí permaneceu durante anos.
Em 1762, Em virtude da posição portuguesa, no conflito que opunha a coligação francesa e espanhola contra a Inglaterra, foi ordenada a defesa da costa da Ilha, os nomeados para tal tarefa, ao chegarem às Doze Ribeiras e como religiosos que eram, perante a imagem de Nossa Senhora dos Milagres, efectuaram um voto, designado “voto dos escravos”, no sentido de se tornarem seus escravos e efectuarem uma festa anual, caso a ilha não fosse atacada pelo inimigo. Como assim sucedeu, foi cumprida a promessa da “Irmandade dos Escravos”.
A c
aminhada, iniciou-se junto à mata da Serreta, de um forma descendente, por entre trilhos apertados e escorregadios, bem como canadas mais espaçosas, onde a vegetação á base do eucalipto tão abundante naquela zona, deixava transparecer a sua fragrância inconfundível.
Terminado esta primeira fase do percurso mais selectivo, o grupo deparou-se com algumas descidas, com um grau de inclinação elevado, que aliado ás muitas folhas e galhos apodrecidos no solo, dispensavam cuidados redobrados, que no entanto não foram os suficientes para evitar algumas quedas, mas sem consequências.
Era o início do contorno da Ponta do Queimado, onde o deslocamento se fez por todo o bordo deste derrame, proporcionado uma visão ímpar, primeiro da baía grande da Serreta, e depois da pequena, ressaltado á vista a imponente rocha no negro bas
alto, polida aprumadamente, devido à erosão do mar revolto, que costuma agitar aquela zona durante séculos.

A Fajã

Toda esta área agreste, em tempos eram curraletas de vinha, onde também existiam figueiras, sendo possível ainda visualizar aqui e ali alguns ramos, que espreitam timidamente, por entre a vegetação que as amordaça. Até que se chegou finalmente junto da Fajã da Serreta.
Esta Fajã, que vai da mata até junto ao mar, inicialmente era conhecida por Fajã de Duarte Gomes Serrão, por ser inteiramente sua, e onde existiam para além de vária
s culturas, alguns pomares e vinha.
Situada na parte inferior da rocha, que limita a freguesia da Serreta, foi descoberta oficialm
ente em 1855, uma fonte de água, denominada fonte da água azeda, que todavia, segundo consta a mesma já era do conhecimento dos habitantes da freguesia.
Haviam alguns moradores locais, que ganhavam alguns cobres que algumas pessoas da cidade lhes pagavam, para recolher o precioso líquido.
Segundo o relato do francês F. Fouquêt que em 1867 veio à Terceira estudar uma erupção ocorrida no mar naquela zona, e que terá estudado a nascente, era possível penetrar na fenda até cerca de seis metros, onde por vezes haveria uma conce
ntração elevada de ácido carbónico que se tornava perigoso, e que segundo Fouquêt, seis anos antes, tinham falecido asfixiados três habitantes locais, após se terem aventurado na respectiva fenda.
Na recta final, passagem pela Ribeira da Lapa, em direcção ás cancelinhas, com rumo ao ponto de partida.
Estas incursões pelo interior e litoral da Ilha, dando a conhecer e tomando contacto directo com a fauna e flora local, é um direito de todos, quantos respeitam e amam a natureza, aquilo que de melhor temos para oferecer, mas também uma grande responsabilidade, já que existe o dever de preservar, respeitar
e defender este património único.
Neste contexto, estas cam
inhadas exemplarmente organizadas ao mais infinito pormenor, por uma entidade que já leva 44 anos de intensa actividade ao nível da exploração, e defesa intransigente do nosso património natural, tem sido reconhecidamente um êxito em toda a linha, não só ao nível dos cuidados logísticos e de segurança, mas sobretudo, ao nível da sensibilização, defesa e cuidados a ter com o meio que nos rodeia, não faltando os necessários esclarecimentos.
Bem haja
m!

2º PASSEIO PEDESTRE DOS MONTANHEIROS "TERRA BRAVA" (2008)





A natureza no seu mais puro estado selvagem







O núcleo da Terra Brava é o lugar mais intacto e selvagem da Ilha, é composto por uma vegetação endémica riquíssima, que fez as delícias dos participantes.

A Terra Brava é o lugar mais intacto da Terceira e provavelmente dos Açores, devido às dificuldades do seu acesso. É uma floresta de vegetação endémica, com uma área de aproximadamente 6Km2, e faz parte do Maciço do Pico Alto.A Terra Brava, è constituída por vários picos e por uma vegetação riquíssima, que brota do terreno vegetal que a sustenta, podendo lá se encontrar, entre outros, Cedro-do Mato, Louro, Pau Branco, Azevinho, Rapa, vários musgos de diferentes tamanhos e tonalidades, bem como diversos fetos.O seu núcleo é composto por uma floresta bastante densa e primitiva, de difícil orientação, apresentando um relevo irregular, bravio, anárquico, assustador até e confuso, com declives às vezes a pique, fendas profundas, algumas das quais formam autênticos labirintos. Certamente por estas razões, esta parte virgem de vegetação endémica riquíssima, escapou ao castigo da mão arrasadora humana, mantendo teimosamente a sua flora primitiva.As condições climatéricas favoráveis, após mais uma semana irregular, voltaram a favorecer mais esta caminhada, proporcionando aos 102 participantes que respeitam, adoram e sabem dar o real valor ao que de mais genuíno e belo que temos para oferecer, mais um passeio inesquecível.Uma vez imobilizadas as viaturas, perto das Lagoinhas, o grupo reuniu-se para o briefing da praxe, onde o tema principal foi dar a conhecer as características do terreno por onde se iria caminhar, com especial atenção para os cuidados a ter quando se penetrasse em plena Terra Brava, onde a irregularidade do terreno exigia atenções redobradas.

Vered
a do Avião

Depois, a coluna pôs-se em movimento, “atacando” a primeira fase do percurso, um traçado fácil, descendo a canada que dá acesso às Lagoinhas, virando posteriormente à direita e subindo em pleno pa
sto em direcção à Vereda do Avião. As primeiras dificuldades e mesmo algumas quedas, verificaram-se na parte final do referido pasto, por força de pequenos charcos camuflados pelo erva, que se abatiam por baixo dos pés, que inclusivamente “pediram emprestado” o sapato de alguém.Uma vez reagrupado o grupo, e o stress mais aliviado pelas gargalhadas e boa disposição que estes pequenos contratempos oferecem e são mesmo indispensáveis, fazem parte das caminhadas e tocam a todos, iniciou-se então a subida pela Vereda do Avião, nome dado a este trilho devido à queda de um avião colombiano.Na subida pelo referido trilho bem definido, começaram os contactos com a vegetação endémica, chegando-se rapidamente ao alto do trilho, que nos proporciona, um campo de visão soberbo, de onde é possível visualizar, o Pico Agudo à esquerda, o Pico Alto ao centro, mais à direita o Pico do Boi, e mais ao fundo a Serra do Cume. Momento obrigatório para colocar as fotos em dia, antes da descida até a um pasto baldio, onde igualmente com uma paisagem interessante, era visível toda a zona envolvente do Cabrito.Uma vez o grupo reunido no baldio, foi transmitida a mensagem para que se fizesse o menor ruído possível, em virtude do pasto ser frequentemente utilizado pelo gado bravo, mas que desta feita lá não se encontrava, prosseguindo os “exploradores” por pleno pasto até á zona da subida para a tão desejosa Terra Brava.

A Terra brava

Logo no início, ficou bem patente o porquê do nome, com um acesso de alguma dificuldade onde o relevo desordenado obrigava a cuidados redobrados para evitar os “escorreganços”.Após a subida, a coluna iniciou o deslocamento em plena Terra Brava, tomando conhecimento com a pureza da sua vegetação, onde se pode encontrar os maiores exemplares de azevinhos da Ilha, uma beleza tamanha que fazia esquecer as pequenas dificuldades do traçado, que obrigava a uma marcha lenta, obrigando a coluna a imobilizar-se algumas vezes para reagrupar, não só por esse facto, mas também, devido ás enumeras fotos, porque momentos destes, podem ser únicos e há que regista-los.
Feita a sempre apetecível pausa para o almoço, que para além de reconfortar o estômago, serve igualm
ente para repor novas energias, e também para a sempre importante componente social, prosseguiu-se, por entre a cerrada vegetação, e a irregularidade do solo, ladeadas a espaços por rochas cobertas de um lindíssimo musgo, de várias tonalidade onde os verdes e os rubros se destacavam.
Já na parte final, uma descida acentuada, que fez os seus estragos, mas nada que não esteja sempre dentro do esperado e normal desenvolvimento das caminhadas e do
seu espírito. Na etapa final apareceram os primeiros exemplares intrometidos de vegetação exótica, onde a Jarroca, ordenava, antes de se entrar numa zona de pequenas Criptomérias com as viaturas á vista. uma vez junto das carros, e relançado um último olhar sobre a Terra Brava de onde se acabava de sair, a saudade já começava a fazer-se sentir. Agora é tempo de desfrutar de tudo aquilo que este passeio nos transmitiu e aguardar pelo próximo.

quinta-feira, 8 de maio de 2008

1º PASSEIO PEDESTRE DOS MONTANHEIROS (PICO DA LAGOÍNHA/PICO NEGRÃO) (2008)


Lagoa fantástica paisagem deslumbrante

Teve início da melhor forma a nova temporada dos passeios pedestres, com o sol a contribuir decididamente para o sucesso da iniciativa, ao permitir grande visibilidade.

São Pedro foi amigo, generoso até, e, após uma série de dias onde o tempo instável e a precipitação dominaram, decidiu abrir as portas de par em par para assoalhar a ilha e, deste modo, contribuir da melhor forma para o sucesso do primeiro Passeio Pedestre de 2008, organizado pela Sociedade de Exploração Espeleológica os Montanheiros, em colaboração com a Câmara Municipal de Angra do Heroísmo.O dia amanheceu soalheiro, dando um bonito colorido à histórica Baía da cidade açoriana Património Mundial. Junto à sede dos Montanheiros, registava-se a azáfama e o frenesim matinal das inscrições para o primeiro passeio da época. Momento sobremaneira aguardado por muitos, que serviu igualmente para restabelecer contactos interrompidos, isto ao nível dos mais veteranos nestas andanças, e o estabelecer de novas amizades com os “caloiros”.Confirmando o interesse crescente da população local, e não só, por esta iniciativa, basta dizer que o sucesso do ano anterior, onde se bateu o recorde de participantes, ameaça ser superado, e por larga vantagem. Isto a confirmar-se, no futuro, a tendência deste primeiro passeio que ultrapassou a centena de participantes. Mais precisamente foram 111 os amantes da natureza que iniciaram esta primeira caminhada. Fazendo-se à estrada, a caravana deteve-se, como sempre, na zona do Pico da Bagacina para reagrupar, e lá seguiu pela estrada das Doze, rumo à freguesia da Serreta, com destino ao Pico da Lagoínha.Uma vez estacionadas as viaturas, procedeu-se ao briefing da praxe, que, para além de dar as boas-vindas a todos neste início de caminhadas, serviu também para elucidar os novatos sobre o contexto dos percursos e, finalmente, tecer algumas considerações sobre o itinerário que se iria fazer em particular.Finda a breve palestra dos guias, aconchegou-se as mochilas, ajeitou-se os bonés e iniciou-se, então, a esperada marcha rumo ao Pico da Lagoínha, um percurso feito todo a subir rumo ao objectivo traçado.BELEZAA Lagoínha situa-se a uma altitude de cerca dos 786 metros, é parte integrante do maciço da Serra de Santa Bárbara, posicionando-se no lado norte da referida serra.Esta lagoa fica numa zona de chuvas abundantes, mas sazonais, com maior incidência no Inverno, e é das poucas que consegue manter, mais ou menos, o nível de água ao longo de todo o ano.É uma lagoa de reduzidas dimensões, ladeada por grande quantidade de turfeiras, mas de uma generosidade e beleza ímpares, o que faz a delícia de todos quantos (e felizmente são cada vez mais) respeitam e admiram a natureza no seu estado mais puro.Esta lagoa é uma espécie de cereja no topo do bolo, mas toda a envolvência onde está inserida é magnífica e única, já que, uns metros mais acima, e tirando partido de um miradouro, é possível desfrutar de uma vista esplendorosa.Aliás, reunindo as condições climatéricas ideais, tais como as verificadas no passeio em questão, onde a visibilidade era grande, é possível visualizar, emergidas no meio da imensidão do azul do Atlântico, as ilhas da Graciosa, São Jorge e Pico, numa paisagem riquíssima, o que fez as delícias dos menos familiarizados com estes torrões de lava plantados no meio do vasto oceano, que não se cansaram de elogiar tamanha beleza, devidamente documentada pelas objectivas das suas câmaras. Claro está, para mais tarde recordar e, com certeza, dar a conhecer aos familiares, amigos e conhecidos aquilo que de melhor temos para oferecer.Este contraste entre o azul do mar e o verde da terra é, de facto, maravilhoso e traduz uma sensação de tranquilidade, paz e liberdade única. Indiscutivelmente, uma imagem de marca dos Açores. Na primeira fase do percurso, o mesmo desenrolou-se por entre trilhos mais fechados e canadas mais espaçosas, ladeados, a espaços, por uma maior concentração de faias, passando-se por zonas mistas de floresta exótica e laurissilva, em que, por vezes, o cedro-do-mato também predominava.A subida final deu-se por um trilho onde escorria um fio de água, o que obrigava a cuidados redobrados, uma vez que o piso se tornava mais escorregadio e, consequentemente, propício a algumas quedas.No caminho de regresso, o destaque vai para o Pico Negrão e, sobretudo, para a Ribeira do Além, a mais profunda da ilha Terceira, o que despertou a curiosidade e o encanto de todos. O primeiro passeio já é saudade. Como tal, venha o segundo.

13º PASSEIO PEDESTRE DOS MONTANHEIROS – MISTÉRIOS NEGROS (2007)


Passadeira de Tufeira estendida aos pés do Cedro-do-Mato

Do contraste da vegetação endémica, sobre a Tufeira consistente, aos Domas formados pela primeira erupção histórica dos Açores, ocorrida em 1761.

As condições climatéricas espectaculares, extremamente favoráveis ás actividades ao ar livre quiseram associar-se a este último passeio do corrente ano, contribuindo decisivamente para o sucesso (mais um) deste passeio que como não poderia deixar de ser, ficou marcado por toda a beleza que envolveu o seu traçado, aliás, uma marca de qualidade, a que os Montanheiros já habituaram todos aqueles que gostam de desfrutar deste ambiente e que a natureza nos tem brindado. Todos aqueles que tiveram o grato privilégio de ter participado neste evento, tiveram a possibilidade de serem os primeiros a desfrutar deste itinerário uma vez que o mesmo era inédito. O dia amanheceu num tom totalmente azul, de fazer inveja a muitos dias de Verão, com o astro Sol a iluminar e a encher ainda mais de brilho, as belezas do interior terceirenses, e consequentemente aquecendo os caminhantes e proporcionando uma contagiante boa disposição, a par de condições óptimas para os amantes da fotografia. O movimento e a azafama, registada no Pico da Bagacina, desde logo apontava para um elevado numero de participantes, o que deixava antever que se poderia estar à beira de um recorde de presenças. Uma vez chegados ao ponto de partida do passeio junto à gruta do Natal, e à lagoa do Negro, veio de facto a confirmar-se que o numero de caminhantes era o mais elevado de sempre, cifrando-se nos 180. Como é de praxe, no briefing de apresentação do percurso e com todo o grupo reunido pela primeira vez, constatou-se de facto o elevado numero de caminheiros que com a diversidade de cores das suas vestimentas, davam um colorido diferente, no meio do verde predominante. O guia Paulo Mendonça informou o grupo que apesar do passeio ser mais curto do que o habitual, o mesmo poderia ser dificultoso situado num grau de dificuldade 17, numa escala de 1 a 20, chamando particular atenção, para uma zona de rocha rugosa e pouco consistente. Com o pessoal devidamente elucidado sobre o que iria encontrar, o grupo pôs-se finalmente em marcha, primeiro por uma canada de Bagacina, que levou os transeuntes a um pasto, antes de se penetrar numa zona de vegetação, onde o Cedro-do-Mato impressionava pela sua imponência e espessura, numa área admirável, uma das mais ricas da Ilha e espectaculares no que ao Cedro-do-Mato diz respeito. No chão e em toda a extensão do percurso, estendia-se aos nossos pés, uma autentica passadeira de Tufeira riquíssima, que se estendia aos galhos dos Cedros, cobertos também de musgos e pequenos fetos, que transmitiu uma tranquilidade e sentido de liberdade único. Posteriormente, chegou-se ao Doma um local formado por rochas rugosas e pouco consistentes, que resultaram da primeira erupção histórica dos Açores, ocorrida a 16 de Abril 1761, e que durou cerca de uma semana, formando toda aquela zona rochosa, em que todo o cuidado foi pouco para a ultrapassar, obrigando a coluna a uma efectuar uma marcha lenta, no sentido de transpor os obstáculos sem danos, o que felizmente aconteceu. Transposto as rochas, uma nova porta se abriu dando entrada a uma zona de vegetação endémica rica em Cedro-do-Mato, com alguns azevinhos à mistura, como muita Tufeira á mistura, o que dava uma sensação única á medida que se avançava, e que levou os participantes a uma área idêntica a um desfiladeiro, passando por entre dois Domas, que se formaram lentamente. Caminhava-se a passos largos para o final do último passeio do ano, quando se entrou num local aberto, ladeada por muitos fetos já secos situação própria para a altura do ano, de onde era possível contemplar o Pico Gaspar, também conhecido pelo Pico das Cracas, sobretudo pelos pescadores de São Mateus, em virtude de ser um ponto de referência visto do mar, antes de se entrar numa zona de altas Criptomérias, que foi dar a um pasto aberto à beira do caminho, por onde todos os viandantes se deslocaram até às viaturas, terminando assim o décimo passeio pedestre e último da temporada, que desde já vai deixando saudades, mas fica a esperança que a iniciativa se repita para o ano, já que tem sido uma forma de dar a conhecer aos amantes da natureza o interior da nossa Ilha, que de facto tem coisas maravilhosas e como tal, esta iniciativa foi um sucesso a todos os níveis.